Casa de taipa se tornou o xodó da Vila do Forró, na Orla de Atalaia

Trabalho de decoração feito pela sergipana Mahyra Prudente tem causado emoção em vários visitantes pela riqueza de detalhes, e pela reconstrução fidedigna dos ambientes deste tipo de moradia.

É impossível visitar a Vila do Forró, na Orla de Atalaia, e não ser “capturado” pela réplica perfeita de uma casa de taipa, instalada logo na entrada do espaço. Pequena, com as madeiras e barro à mostra, o encantamento do visitante se torna ainda maior ao entrar no espaço e perceber quão fidedigna à realidade (atual ou passada) de muitos brasileiros a casa está. A Vila do Forró faz parte do Arraiá do Povo, evento realizado pelo Governo de Sergipe.

O fogão à lenha; o pote de barro para guardar ‘água de beber’; o coador de café em pano; a corda de alho; copos, bacias e canecas em alumínio; o candeeiro; a colcha feita com retalhos de pano; o cortinado ou mosqueteiro, como é conhecido no Nordeste. São vários os elementos que, de alguma maneira, servem como portal do tempo para os visitantes, que dentro da casa ‘viajam’ para outro município, para a residência de parentes ou até para a própria moradia onde algum dia viveu.

“Quando cheguei à Vila do Forró e vi a casa, achei a proposta muito assertiva dos organizadores, porque muitas pessoas não conhecem esse tipo de moradia. Ao entrar nela e ver a riqueza de detalhes me emocionei, porque tudo ali me remetia à casa da minha avó materna, em Itabi: os quadros dos santos, as latas de alumínio… parecia que estava vendo a casa dela, que faleceu há alguns anos. Entrar na casa de taipa me deixou emocionada e muito saudosista”, declarou a bancária Stephane Marinho.

A dona do ‘portal mágico’

Entre receber a missão, reviver o passado, planejar a decoração, adequar o projeto, e encontrar todos os objetos que decorariam a casa de taipa, Mahyra Prudente teve cerca de um mês.

“Esse foi, sem dúvida, o trabalho de decoração mais emocionante que fiz, porque foi baseado em minha vivência. Sim, já morei em casa de taipa com minha mãe, no município de Telha, antes de ser criada por minha avó, em Cedro de São João. E tanto na casa de minha mãe, quanto na de minha avó, eram utensílios como os expostos na casa de taipa da orla que a gente usava no dia a dia”, relembrou emocionada.

Aos 31 anos de idade, Mahyra reside há cerca de 15 anos na capital, mas as raízes dela no interior ainda estão fortes, inclusive, foi junto a elas que conseguiu encontrar vários objetos para dar vida à casa, pois segundo Mahyra, não os encontrou em Aracaju.

“Os quadros dos santos e os usados nas paredes, o lençol de retalho e o gancho de ferro para panelas… muita coisa eu trouxe do interior, da casa de parentes, porque não se acha mais por aqui. Tentei deixar o mais real possível para que as pessoas, ao entrarem, lembrem de alguma fase da vida, ou de alguém, que fossem tocadas pelo ambiente, que se emocionassem”, explicou Mahyra Prudente.

Ela conta que durante o processo de montagem, uma senhora entrou no espaço e sem dizer qualquer palavra, começou a chorar copiosamente. Depois de algum tempo, mais contida, falou que o choro foi porque o local a fez lembrar da mãe. 

E depois de pronta, a casa de taipa da Vila do Forró tem sido utilizada como cenário para vários influenciadores digitais, de todos os segmentos, e para matérias da imprensa local, além claro, de habitar o Instagram de milhares de sergipanos e turistas.

“Confesso que enquanto realizava a pesquisa, executava o projeto, sabia que as pessoas iriam gostar, mas não pensei que chamaria tanto a atenção. O feedback tem sido muito positivo, e todo esse movimento tem sido gratificante demais, tem me deixado muito emocionada, e me deu ainda mais confiança de que estou na profissão certa”, disse Mahyra.

Quem é Mahyra Prudente?

Sergipana do Cedro de São João, Mahyra Prudente tem 31 anos de idade e está na área há cerca de três. O amor por modificar espaços, decorar ambientes e deixá-los mais confortáveis e bonitos surgiu no cotidiano, na rotina familiar, e segundo ela ganhou mais intensidade na época da pandemia.

“Todo ano sempre mudo a decoração da minha residência, especialmente da cozinha. Mas foi durante a pandemia, ‘confinada’, que a paixão que sentia por essa área ficou ainda mais latente, e percebi que esse, realmente, seria o meu caminho profissional. Antes da pandemia cursava enfermagem, e até gostava, mas quando tudo voltou ao normal já não quis mais continuar, e ingressei no curso de Designer de Interiores, da Uniasselvi”, contou.

O despertar profissional do que, até então, era um hobby doméstico, foi estimulado pelo marido, o empresário Alexandre Porto, diretor da Êxito Eventos. 

“Sempre achei que ela tinha o tal do jeito para decoração, por isso comecei a pedir a ajuda dela em alguns projetos da empresa, para fazer com que aquela minha desconfiança fosse comprovada. E realmente estava certo. Ela é uma excelente profissional, e há três anos os projetos de decoração da empresa são assinados por Mahyra”, relatou Alexandre Porto.

Ela tem no portfólio mais de 50 projetos de decoração para eventos públicos e particulares, entre eles, a Via Sacra e a famosa igrejinha da Vila da Páscoa Iluminada, capela que também é presença garantida em todas as edições da Vila do Forró; e a Casa do Papai Noel, da Vila de Natal.

Ao ser questionada sobre os planos que possui para o futuro, após todo o sucesso obtido com a casa de taipa da vila do forró, e com a área instragramável da Vila, carinhosamente apelidada de espaço dos girassóis, Mahyra respondeu sem pestanejar: concluir meu curso, me aperfeiçoar e não sair nunca mais da área.

O que é uma casa de taipa

A casa de taipa é uma habitação muito característica dos rincões do Nordeste brasileiro, erguida com barro em estrutura entrelaçada de caibros de madeira, e que não possui revestimento em argamassa, o famoso reboco.

Apesar de no ideário popular estar mais associada à região Nordeste, é encontrada em todos os estados do país, como mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada em 2022 pelo IBGE, e cujos dados foram atualizados em junho de 2023. De acordo com a PNAD Contínua, o Brasil ainda possui 5.141.000 de casas de taipa sem revestimento, o que representa 6,93% do total de domicílios do país.

Assessoria de ImprensaAndréa Moura Comunicação e Eventos

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