'Music, Fashion, Film', sexto disco da artista, sucede 'Brat' e traz guitarras mais presentes sem perder as bases eletrônicas e pop. A cantora ainda flerta com grunge e vem ao Lollapalooza Brasil em 2027.
Charli XCX é dona do álbum “Music, Fashion, Film”, seu sexto disco de estúdio. O trabalho sucede o fenômeno “Brat”, que redefiniu a trajetória da cantora em 2024, e apresenta uma sonoridade que amplia o espaço das guitarras sem abandonar as raízes eletrônicas e pop que marcaram sua carreira. A artista vem ao Lollapalooza Brasil em março de 2027.
Muito se especulou sobre uma possível mudança definitiva para o rock, principalmente após o lançamento de “Rock Music”, primeiro single do projeto. A resposta, porém, está longe de ser tão simples. Embora o novo disco incorpore elementos do grunge, do indie e do rock alternativo, a produção continua profundamente conectada ao universo pop e dance que tornou Charli uma das artistas mais influentes de sua geração.
O álbum experimenta novas texturas sem perder a identidade. Em vez de romper com o passado, “Music, Fashion, Film” expande a estética construída pela cantora nos últimos anos e reforça sua disposição para desafiar rótulos, equilibrando guitarras mais presentes com sintetizadores e batidas que mantêm o apelo pop.
Ranking de “Music, Fashion, Film” (posições 11 a 6)
- 11. “2007”
A música mais leve do disco também parece ser a menos essencial do álbum. O refrão repetitivo e a batida acelerada soam como se tivessem sido transportados de uma fase anterior da carreira da artista. É um experimento divertido, e o clipe com temática inspirada no TikTok quase parece um desafio para que o público transforme justamente essa faixa no sucesso inesperado desta era e a faça viralizar de verdade. Ainda assim, é a única música do disco que não parece pertencer completamente ao conjunto.
“Posso te levar ao paraíso como se fosse 2007 / Uma estrela pop no meu quarto como se fosse 2007”
- 10. “I’m Afraid”
No filme que acompanha o álbum, Charli xcx introduz a faixa lembrando que “George gosta dela” sobre seu agora marido, George Daniel. A canção concentra a atenção nas inseguranças diante de um relacionamento capaz de mudar sua vida; longe de ser um pop romântico convencional, explora uma atmosfera tempestuosa com distorções, névoa sonora e mudanças bruscas de dinâmica.
“Tenho medo, tenho medo / Não sou nada sem ele / E se eu estragar tudo? / Pegue o anel, pegue o anel.”
- 9. “Yeah”
Uma das músicas menos densas do disco, “Yeah” atualiza de forma natural a sonoridade eletropop característica da cantora com influências do garage rock. Nos versos, a letra recusa um pedido abstrato enquanto guitarras carregadas de tensão conduzem a faixa. A virada para um refrão dominado por sintetizadores distorcidos sugere que a canção tem tudo para se tornar favorita dos fãs durante a próxima turnê.
- 8. “Magic Metal Montana”
Apresentada como a canção de amor mais pura do disco, “Magic Metal Montana” é dedicada ao colaborador de longa data A.G. Cook. A letra mistura emoção e provocação, com versos diretos que traduzem a singularidade da relação entre os dois, em que a criação musical funciona como forma de diálogo.
Versos como “Você é meu melhor amigo, mas a gente não conversa / A gente faz música, é assim que conversa” capturam essa dinâmica com honestidade, e a presença de Cook na criação da faixa amplia o impacto emocional.
- 7. “Card Declined”
Uma das faixas mais grunge e dissonantes do álbum é dedicada ao tema das compras. No filme que acompanha o projeto, a cantora explica que a música não trata apenas do consumo, mas da busca por uma versão nova de si mesma através das aquisições. A letra brinca com a ideia de comprar uma identidade até confrontar a limitação financeira: “Cartão recusado” funciona como um resumo simples e eficaz da faixa.
- 6. “Camera”
Entre as faixas lançadas antecipadamente, “Camera” concentra-se no elemento terceiro que dá nome ao álbum. A canção explora a relação turbulenta da artista com a lente, num retrato honesto de um vício autocentrado. O groove é um dos mais marcantes do disco, com refrão pegajoso, ainda que a faixa perca um pouco de força ao encerrar sua seção de breakdown.
“Estou sendo idiota pra caramba por tentar ser uma garota na tela quando estou fazendo 34 anos?”
O conjunto das faixas mostra uma artista que amplia seu espectro sonoro sem abandonar os elementos que constituíram sua identidade. “Music, Fashion, Film” tende a ser percebido tanto por fãs de pop/dance quanto por quem acompanha tendências do rock alternativo e do indie, apontando para uma era musical marcada por mistura de referências e experimentação.
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