Ex-tesoureiro do PT quer voltar à política após condenações no Mensalão e na Lava Jato. Delúbio Soares, 70 anos, planeja disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo seu estado natal.
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, de 70 anos, pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados por Goiás, seu estado natal. Ele busca se reintegrar à política após as condenações relacionadas ao Mensalão e à operação Lava Jato, que investigou corrupção e desvio de recursos, com a Petrobras no centro do escândalo. Esses casos surgiram durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, e de Dilma Rousseff, em 2014, ambos do PT.
Delúbio foi preso e, apesar de ter sido expulso do PT na época do Mensalão, retornou ao partido em 2011. Em 2012, foi condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, recebendo uma pena total de 8 anos e 11 meses, que foi reduzida para 6 anos e 8 meses após o julgamento dos embargos infringentes, onde o STF o absolveu da acusação de formação de quadrilha. Ele cumpriu 2 anos de pena, sendo 1 ano e meio em prisão domiciliar.
O ex-dirigente petista continua a criticar a atuação do ministro Joaquim Barbosa, relator do seu processo, chamando-o de “desqualificado”. Em entrevista, Delúbio afirmou que “não convidaria Joaquim Barbosa para jantar” em sua casa. Barbosa, por sua vez, ainda não decidiu se disputará a presidência em 2026 pelo partido Democracia Cristã. Delúbio ironiza a possível candidatura, afirmando que “não está vendo os eleitores”.
Delúbio Soares se declara inocente e planeja pedir a revisão criminal de sua condenação. Ele comentou: “Deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão”. Em 2016, foi solto pelo STF após receber indulto natalino concedido em 2015. Além disso, foi condenado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro e preso em 2018, no mesmo ano em que Lula foi detido.
O ex-tesoureiro considera que o método das investigações da Lava Jato é uma continuidade do Mensalão. Em 2023, o STJ anulou sua condenação, entendendo que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para processá-lo.
Em sua nova jornada política em Goiás, Delúbio enfatiza a importância de aumentar a votação de Lula no estado e ajudar a reeleger o presidente no primeiro turno, algo que ainda não foi alcançado. Ele também criticou o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) pela assinatura de um memorando com os Estados Unidos sobre terras raras, em março de 2026, chamando-o de “papagaiada do governador”.
Delúbio expressou solidariedade ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e defendeu que as investigações do caso Master sejam ampliadas.
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