Comemorado em 8 de outubro, o Dia do Nordestino celebra influências que moldam a música brasileira. Uma nova geração mistura forró, brega, rap e afrobeats, levando ritmos regionais a palcos e playlists do país.
Comemorado nesta quinta-feira (8), o Dia do Nordestino homenageia a contribuição de milhões de nordestinos para a cultura brasileira. A música é uma das expressões em que essa herança aparece com mais força: do baião ao axé, do forró ao manguebeat, do brega ao pagodão e ao reggae maranhense. Hoje, uma nova geração mantém e reinventa essa tradição, levando ritmos regionais para palcos, festivais e playlists em todo o país.
O material reúne nomes da Bahia, Pernambuco e Maranhão que transitam por gêneros como trap, bregafunk, rap, samba-reggae, afrobeats e R&B. Entre os destaques, Baco Exu do Blues, nascido em Salvador, aos 30 anos se consolidou como uma das vozes do rap nacional. Com mais de 1 bilhão de streams, a obra do artista aproxima hip-hop, música brasileira, literatura e artes visuais. A estreia “Esú” (2017) rendeu prêmios de Artista Revelação e Canção do Ano no Prêmio Multishow, com “Te Amo Disgraça” — disco de diamante. O álbum “Bluesman” (2018) levou o Grand Prix do Cannes Lions, e “Quantas Vezes Você Já Foi Amado?” (2022) estreou entre os cinco maiores lançamentos globais do Spotify e recebeu indicação ao Grammy Latino.
No quarto álbum, “Hasos”, Baco coloca terapia, autoconhecimento e reconstrução emocional no centro: são 18 faixas com participações de Vanessa da Mata, Teto, Zeca Veloso, Sued Nunes, Joyce Alane, Mirella Costa, Ivyson e Carol Biazin. A turnê do disco já passou pela terceira excursão europeia, com shows em Portugal, Inglaterra, Irlanda, Bélgica e Holanda, e segue pelo Brasil. Em 2024, reuniu cerca de 100 mil pessoas no Pelourinho no encerramento do Carnaval. Baco também comanda o selo 999, que tem impulsionado talentos baianos como Celo Dut e Suiky.
Duquesa, nascida em Feira de Santana (BA), vive o auge da carreira: cerca de 3 milhões de ouvintes mensais no Spotify e mais de 750 milhões de streams. Lançou os álbuns “Taurus” (2023) e “Taurus Vol. 2” (2024) — este indicado ao BET Awards —, o EP “Six.” e o single “Fuso”, que ultrapassou 50 milhões de reproduções. A apresentação no Tiny Desk Brasil, com banda formada majoritariamente por mulheres negras, soma mais de 4,1 milhões de visualizações no YouTube. Em setembro, participou de eventos como o Festival 100% Favela, Coala Festival e Rock in Rio; também esteve na festa de 15 anos da Netflix Brasil e em encontros culturais como a Flup e o Amplifika.
Celo Dut, da Cidade Baixa em Salvador, transita entre rap, MPB e ritmos afro-baianos. Integrante do selo 999, apresentou “Não Vou Ceder” na plataforma Colors, dividiu palco com Baco no Festival de Verão Salvador e abriu shows no Circo Voador e na Audio. Em setembro, estreou no Palco Supernova do Rock in Rio e, dias depois, lançou o álbum solo “Rei das Ruas”, com participações de BK’, Liniker, Baco, Teto e Ravi Lobo. O disco passeia por samba de roda, samba-reggae, R&B e afrobeats e abre uma trilogia que o cantor pretende lançar.
Suiky, criado no bairro do Calafate (Salvador), integra a nova geração do trap baiano e navega entre rap, trap e R&B, com referências de reggae, soul, dancehall, afrobeat e axé. Produz as próprias músicas desde 2021. Seu catálogo inclui a mixtape “Out of Reach” (2022), os EPs “Salcity My Block” (2022) e “Lealdade Primeiro” (2025) e singles como “Keep Money” e “Uen Uen Uen” (2026). Do núcleo criativo do selo 999, Suiky abriu shows de Baco em São Paulo, Rio e Salvador e integra o projeto “Pacto de Gang”, da gravadora Pineapple Storm. Agora, prepara um álbum de estúdio e projetos dedicados a R&B, funk e afrobeat.
Vírus Carinhoso, criação do subúrbio ferroviário de Salvador, lançou o álbum “Karkará”, de 12 faixas, pelo Natura Musical, com patrocínio do governo da Bahia via Fazcultura. O disco mistura afrobeats, pagodão baiano, ijexá, samba-reggae e rap para abordar ancestralidade, território, paternidade, luto, fé e transformação, tendo como fio condutor uma pesquisa sobre os adinkras, símbolos de origem Akan, da África Ocidental. O álbum traz participações de Sued Nunes, Vandal, Chibatinha, Urias, Celo Dut, Aguidavi do Jêje e Novíssimo Edgar, e inclui faixas como “Quando o Negro Voa” e “Carta aos Ancestrais”.
“‘Karkará’, para mim, é a conclusão de um ciclo e o começo de outro”
O nome Brenno Casagrande aparece em sequência no material, mas o texto chega cortado antes de detalhar sua trajetória. A relação apresentada reúne artistas que mostram a variedade de sons e narrativas do Nordeste contemporâneo: do trap baiano ao bregafunk pernambucano, passando por rap, samba-reggae, afrobeats e R&B. Para leitores de Aracaju, Canindé de São Francisco e do interior sergipano, a sugestão é dar o play e acompanhar essas vozes que conectam ancestralidade, território e contemporaneidade.

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