O Conselho Estadual de Cultura de Sergipe, vinculado à Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), aprovou por unanimidade, em reunião extraordinária na sexta-feira, 24, o tombamento da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, situada na Praia do Saco, no município de Estância. A medida reconhece o valor histórico, cultural e religioso da capela e amplia os mecanismos de proteção ao patrimônio cultural do estado.
A sessão que decidiu pelo tombamento ocorreu na Academia Sergipana de Letras, em Aracaju, e foi presidida pelo conselheiro Pascoal D’Ávila Maynard Júnior. O pedido de tombamento foi protocolado pela própria Academia Sergipana de Letras, que vinha atuando na defesa da preservação da igreja como marco da formação histórica e religiosa do litoral sul sergipano. Após a aprovação, o processo seguirá para registro no livro de tombo do Conselho Estadual de Cultura, o registro oficial que formaliza a condição de bem tombado em Sergipe.
A deliberação do conselho acontece em contexto de decisão judicial: a Justiça Federal determinou a desmontagem e a realocação da igreja para outro ponto da Praia do Saco devido à erosão costeira, condicionando a reconstrução em área mais segura e a preservação das características arquitetônicas da capela.
Com o tombamento estadual, qualquer intervenção futura na igreja deverá observar diretrizes específicas de preservação estabelecidas pelos órgãos competentes. O Conselho Estadual de Cultura informou que acompanhará o caso e prestará colaboração técnica na busca de soluções que assegurem a permanência da igreja como referência da memória coletiva de Sergipe.
O presidente do conselho, Pascoal Maynard, destacou que o valor do bem ultrapassa a dimensão física, envolvendo significados, práticas religiosas e vínculos comunitários que justificam medidas de salvaguarda. Segundo ele, o tombamento não encerra o debate sobre a melhor forma de enfrentar os efeitos da erosão costeira, mas fornece uma camada adicional de proteção jurídica e técnica, exigindo que intervenções futuras compatibilizem segurança, proteção ambiental e a continuidade da capela como referência da memória local.

Erguida originalmente no século 16, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem é apontada como uma das mais antigas referências de ocupação religiosa do litoral sul sergipano. Vinculada à devoção de navegadores e às comunidades pesqueiras, a capela consolidou-se ao longo dos séculos como ponto de fé, palco de celebrações tradicionais e objeto de forte apego afetivo para residentes e visitantes da região.
Foto: Magna Rakilane
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