O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. A deliberação, anunciada nesta quarta-feira (28), confirmou a expectativa do mercado financeiro e marcou a quinta manutenção consecutiva da Selic no maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25%.
A reunião ocorreu com a diretoria do BC incompleta. Os cargos de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica estão vagos desde o fim de 2025, após o término dos mandatos de Renato Gomes e Paulo Pichetti. As indicações dos substitutos serão enviadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Senado somente após o retorno do Congresso, em fevereiro.
Evolução dos juros
A Selic caiu a 10,5% ao ano em maio de 2024, mas voltou a subir em setembro do mesmo ano. O ciclo de alta levou a taxa a 15% em junho de 2025, nível mantido desde então.
Inflação dentro do teto
Em 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 4,26%, menor percentual anual desde 2018 e dentro do teto da nova meta contínua, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (1,5% a 4,5%). Pelo sistema contínuo, a verificação da meta é feita mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses.
No Relatório de Política Monetária publicado em dezembro, o Banco Central reduziu a projeção de inflação para 2026 de 3,6% para 3,5%, mas avisou que revisará o número em março, diante do comportamento recente do câmbio e dos preços. O boletim Focus, compilado semanalmente com instituições financeiras, estima IPCA de 4% para este ano, ligeiramente acima do teto da meta.
Impacto sobre a economia
Juros elevados encarecem o crédito, contêm a demanda e ajudam a segurar a inflação, mas também podem frear o crescimento econômico. No mesmo relatório, o BC elevou de 1,5% para 1,6% a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Já os analistas consultados pelo Focus projetam avanço de 1,8%.
A Selic é referência para as demais taxas da economia e para as negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Quando sobe, estimula a poupança e desestimula o consumo; quando cai, barateia o crédito e incentiva a atividade, desde que não haja risco de pressão inflacionária.
Com informações de Agência Brasil
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