Com a guerra no Oriente Médio elevando o preço dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (18) a segunda reunião do ano. Apesar da pressão do petróleo, analistas do mercado aguardam que o colegiado opte pela primeira redução da taxa de juros em dois anos.
Atualmente em 15% ao ano, a Taxa Selic está no nível mais alto desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada em sete decisões consecutivas, mas permaneceu sem alteração nas quatro últimas reuniões do Copom.
A decisão sobre a Selic será comunicada no início da noite desta quarta-feira. O encontro ocorrerá com dois cargos vagos na diretoria do Banco Central: os mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e de Paulo Pichetti, diretor de Política Econômica, encerraram-se no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá enviar as indicações para o substitutos ao Congresso Nacional nas próximas semanas.
Na ata da reunião de janeiro, o Copom havia sinalizado a intenção de iniciar cortes na Selic em março. No entanto, o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã colocou em dúvida a magnitude do ajuste, levando algumas instituições financeiras a considerar até o adiamento da redução.
Segundo a edição mais recente do boletim Focus, que reúne projeções de analistas do mercado financeiro, a expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,75% ao ano. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, o mercado estimava um recuo de 0,5 ponto.
Inflação
O comportamento da inflação segue incerto. A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada por despesas com educação, mas o indicador acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
O boletim Focus elevou a projeção de inflação para 2026, de 3,8% para 4,1%, citando impacto do conflito no Oriente Médio. Esse percentual fica próximo ao limite superior do intervalo de tolerância do sistema de meta contínua, cujo centro é 3% e o intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (ou seja, 1,5% a 4,5%).

Taxa Selic
A taxa Selic serve como referência nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia e influencia as demais taxas da economia. É o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
O BC atua diariamente com operações de mercado aberto — comprando e vendendo títulos públicos federais — para manter a taxa próxima ao valor fixado nas reuniões do Copom. A elevação da Selic tende a conter demanda e desacelerar preços pela elevação do custo do crédito, enquanto cortes na taxa costumam baratear o crédito, estimular produção e consumo e afrouxar o aperto monetário.
O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro são apresentadas análises técnicas sobre as perspectivas das economias brasileira e mundial e do mercado financeiro; no segundo dia, os membros da diretoria do BC deliberam sobre a trajetória da Selic.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro, o Banco Central manteve a projeção de que o IPCA encerraria 2026 em 3,5%, estimativa que deverá ser revista; a próxima edição do documento será publicada no fim de março.
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