Golpistas exploraram falha no sistema online da Apple em Hong Kong e fizeram 1.503 pedidos não autorizados, somando cerca de HK$30 milhões (≈R$100 milhões). Autoridades dizem que não houve prejuízo direto; investigação segue.
Golpistas exploraram uma brecha no sistema de compras online da Apple e realizaram 1.503 pedidos não autorizados de iPhone 18 em Hong Kong, envolvendo mais de HK$ 30 milhões — valor equivalente a cerca de R$ 100 milhões na conversão aproximada. Apesar do volume financeiro, nenhum dos titulares dos cartões, das instituições financeiras ou da própria Apple sofreu prejuízo financeiro direto, segundo as autoridades.
Os casos começaram a surgir após a abertura da pré-venda dos novos smartphones, no início de setembro. De acordo com o comissário de polícia Joe Chow Yat-ming, as medidas de segurança das transações online da Apple não estavam ativas durante os pedidos investigados, o que permitiu que certas compras não exigissem mecanismos de verificação normalmente utilizados para confirmar a identidade do comprador.
Com a falha, criminosos utilizaram dados de cartões de crédito obtidos de forma ilegal para efetuar grandes pedidos sem a necessidade de fornecer códigos de uso único ou passar por confirmações via aplicativo bancário. Os investigados também recorreram a redes privadas virtuais (VPNs) para ocultar a localização real e forneceram endereços de entrega falsos ou incompletos.
Quando a Apple entrou em contato para solicitar correções nas informações de entrega, os criminosos indicavam locais públicos para o recebimento dos aparelhos. A investigação indica que os grupos recrutavam intermediários para retirar os smartphones nesses pontos, o que permitiu que os responsáveis pelo uso dos cartões não precisassem aparecer pessoalmente para receber os produtos.
A polícia de Hong Kong afirmou que continua investigando os grupos responsáveis pelas compras fraudulentas e solicitou que a Apple revise seu processo de transações online antes de uma próxima pré-venda. Por enquanto, as autoridades não informaram quantos aparelhos chegaram a ser efetivamente entregues aos criminosos. Conforme comunicado, todas as transações identificadas foram canceladas antes de gerar perdas financeiras diretas.
O caso integra um contexto de crescimento das fraudes na cidade: nos primeiros oito meses de 2026, Hong Kong registrou 29.670 casos de fraude, alta de 4,5% em relação ao mesmo período anterior, com prejuízo total de HK$ 5,21 bilhões. As fraudes representaram 50% de todos os crimes registrados no período; golpes por telefone responderam por 27% dos casos, enquanto fraudes em compras online corresponderam a 23%.
As investigações seguem concentradas em descobrir como os dados dos cartões foram obtidos e de que forma a brecha do sistema de compras da Apple foi explorada para permitir os pedidos em larga escala.
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