No primeiro semestre de 2026, emissões somaram R$ 169,8 bilhões, queda de 12,1% ante 2025. É o menor patamar desde 2023, apesar do mercado de capitais registrar recorde de R$ 361,8 bilhões.
No primeiro semestre de 2026, o volume de emissões de debêntures, que são títulos de renda fixa emitidos por empresas para financiamento de projetos, registrou o menor patamar desde 2023. De acordo com dados da Anbima, as emissões totalizaram R$ 169,8 bilhões entre janeiro e junho, representando uma queda de 12,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Esse recuo nas debêntures ocorre em contraste com o desempenho geral do mercado de capitais brasileiro, que teve um volume recorde no semestre. As captações totais atingiram R$ 361,8 bilhões, o melhor resultado para o primeiro semestre desde o início da série histórica da Anbima, em 2012. O crescimento foi de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da redução no volume captado, o número de operações com títulos de renda fixa emitidos por empresas privadas cresceu. Foram 278 emissões nos primeiros seis meses de 2026, comparado a 268 no mesmo intervalo de 2025. As debêntures incentivadas representaram 38,3% do total captado, um patamar praticamente estável em relação aos 38,6% registrados no primeiro semestre de 2025, mas ainda em níveis historicamente altos. O setor de energia elétrica concentrou 52,9% dessas emissões.
No mercado secundário, o volume negociado de debêntures aumentou 20,6%, alcançando R$ 494,6 bilhões no semestre, conforme dados da Anbima.
Por outro lado, os títulos híbridos apresentaram resultados positivos, atingindo recordes. Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) somaram emissões de R$ 39,5 bilhões e R$ 8,3 bilhões, respectivamente, representando um crescimento de 103,9% e 288,3% em comparação ao primeiro semestre de 2025. No total, os híbridos chegaram a R$ 47,8 bilhões em captação, impulsionados por pessoas físicas e fundos de investimento.
O volume subscrito por pessoas físicas saltou de R$ 9,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões, uma alta de 114,3%. Já os fundos de investimento tiveram um desempenho ainda mais expressivo, passando de R$ 6 bilhões para R$ 18,9 bilhões, um crescimento de 215%. A participação dos fundos no total das subscrições atingiu 39,6% no primeiro semestre de 2026, comparado a 28% na primeira metade de 2025.
A renda variável também mostrou sinais de recuperação, com a realização do primeiro IPO (oferta pública inicial de ações) após um período de paralisação. O volume total da categoria já superou em 62,5% o registrado em todo o ano de 2025. Além disso, os follow-ons (ofertas subsequentes de ações) alcançaram R$ 22,2 bilhões em 8 operações, o dobro do que foi registrado no mesmo período de 2025.
Outros instrumentos de renda fixa também apresentaram dados relevantes. As emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) totalizaram R$ 20,3 bilhões e R$ 7,1 bilhões, respectivamente, com retrações de 15,8% e 50,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. As emissões de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) somaram R$ 53,1 bilhões em 559 operações, enquanto as notas comerciais atingiram 123 operações no semestre, um número inédito para o período na série histórica, embora o valor captado tenha recuado 11,4%.
No total, o semestre registrou 1.513 operações, um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. As emissões de renda fixa corresponderam à maior fatia do volume global, com R$ 288,8 bilhões captados.
Por fim, no mercado externo, o primeiro semestre de 2026 marcou o melhor desempenho desde 2014. As captações internacionais totalizaram US$ 24,8 bilhões, com o governo brasileiro concentrando a maior parte, totalizando US$ 14,6 bilhões, o que representa 58,9% do total. Instituições financeiras captaram US$ 2,5 bilhões e empresas, US$ 7,7 bilhões.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

