A delegada Danielle Garcia (MDB) alertou para o crescimento da violência contra a mulher em Sergipe durante entrevista concedida nesta quinta-feira (5) ao Jornal da Fan, apresentado pelos radialistas Narciso Machado e Magna Santana.
De acordo com a ex-secretária estadual de Políticas para as Mulheres, apenas nos primeiros dias de 2024 o estado contabiliza um feminicídio consumado e 11 tentativas, números que, segundo ela, exigem resposta imediata do poder público.
Contexto nacional
A delegada lembrou que o alerta coincide com a assinatura do Pacto Nacional contra o Feminicídio, firmada em Brasília pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Para Danielle, porém, o cenário demanda mais do que compromissos oficiais. “O Brasil registra, em média, quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. É preciso avaliar com seriedade onde estamos falhando”, afirmou.
Fatores apontados
Ela atribuiu parte do problema à fragmentação de políticas públicas ao longo dos anos, o que, segundo avalia, reduziu a eficácia das ações de prevenção e proteção. Danielle também destacou o machismo estrutural como combustível da violência de gênero. “Observa-se que o aumento do Índice de Desenvolvimento Humano reduz a violência de forma geral, mas essa correlação não se aplica aos crimes de gênero, o que revela um problema de natureza cultural”, disse.
Medidas protetivas
A delegada enfatizou a importância das medidas protetivas e defendeu a aplicação firme da legislação. “Quando a resposta do sistema de Justiça é rígida, o agressor tende a recuar. A efetividade da lei depende da sua aplicação rigorosa”, argumentou.
Episódio com a prefeita de Aracaju
Questionada sobre vídeo em que a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), relata ter sido vítima de machismo durante coletiva de imprensa, Danielle reconheceu que mulheres em cargos públicos sofrem preconceito, mas disse não ter identificado elementos misóginos no caso específico, lembrando que críticas fazem parte da atuação institucional.
Posicionamento político
Na entrevista, Danielle Garcia informou que permanece firme em suas convicções, mesmo recebendo críticas por integrar o bloco governista na Assembleia Legislativa.
Ao final, a delegada reforçou que o enfrentamento ao feminicídio requer integração de políticas públicas, rigor na aplicação da lei e ações permanentes contra o machismo estrutural, defendendo que a proteção à vida das mulheres seja tratada como prioridade contínua.
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