O deputado federal André Fernandes (PL-CE) acionou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) para investigar uma operação da Polícia Civil do Ceará. A ação, que ocorreu no município de Acopiara, visava o combate ao tráfico de drogas e resultou na destruição de uma grande plantação de maconha.
No dia 25 de junho, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) anunciou a destruição da “maior plantação de maconha do Ceará nos últimos anos”, com aproximadamente 3 hectares de cultivo, totalizando 160 mil pés em fase de crescimento e outros 130 mil já colhidos. Contudo, ao visitar o local dois dias após a operação, Fernandes relatou que encontrou 80% da plantação ainda intacta, com muitos pés de maconha em fase avançada, o que contradiz as informações oficiais sobre a total destruição.
O deputado também destacou que sacos de maconha seca e pronta para distribuição foram deixados no terreno, além de celulares e cadernetas com anotações relacionadas ao tráfico. Segundo ele, esse material deveria ter sido apreendido como prova pericial. Fernandes criticou ainda a falta de vigilância e de fita de isolamento no local da operação.
“Que ligação foi essa que alguém do alto escalão recebeu para fingir que nada disso aconteceu?”, questionou o deputado em um vídeo divulgado, insinuando que a operação pode ter sido interrompida por ordens superiores.
Fernandes, que é presidente do PL no Ceará, apoia a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado, em oposição à presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, que preferia Eduardo Girão (Novo) como candidato. Na última semana, Michelle criticou a decisão do diretório estadual em seguir a orientação de Fernandes.
No portal da SSPDS, uma reportagem divulgada em 26 de junho informou sobre a operação, destacando que as investigações continuavam para identificar e capturar os responsáveis pela plantação. Em resposta ao deputado, o governador Elmano de Freitas (PT-CE) afirmou que a Polícia Civil permanecerá no local até que toda a plantação seja destruída e prometeu transparência na apuração das reclamações de negligência na guarda do material.
“Houve uma denúncia. E, no meu entender, a denúncia é muito grave, de que aqui teria havido negligência para que o crime pudesse atuar. Nós vamos apurar absolutamente tudo”, enfatizou Elmano, pedindo a Fernandes que compartilhasse informações sobre a suposta autoridade que teria solicitado a interrupção da operação.
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