O produtor musical Wandley Bala explica que masterização, equipamentos e as características de cada suporte têm mais impacto na percepção do som do que o formato. Entenda por que a resposta não é simples.
Durante décadas o vinil foi referência de qualidade sonora para muitos ouvintes. Com a chegada do CD e, mais recentemente, dos serviços de streaming, surgiu a disputa sobre qual formato oferece a melhor experiência. Na prática, a resposta é mais complexa do que simplesmente escolher entre analógico e digital.
Para esclarecer as diferenças, conversamos com o produtor musical Wandley Bala, que aponta que a masterização, os equipamentos e as características próprias de cada suporte podem influenciar mais na percepção do som do que o formato em si.
“O vinil não vai ser necessariamente superior ao Spotify em qualidade sonora. A diferença está muito mais na forma como cada formato reproduz e, principalmente, em como a música foi masterizada para cada um”
Bala lembra que muitos discos antigos foram produzidos com menores taxas de compressão e maior dinâmica, característica que pode deixar a música mais natural e aberta. Essa combinação ajuda a explicar por que algumas gravações em vinil agradam tanto aos ouvintes. A nostalgia também pesa: o vinil tem um charme associado à memória afetiva, mas os serviços de streaming também conseguem reproduzir áudio em excelente qualidade quando recebem uma boa masterização.
O produtor destaca ainda as limitações físicas do vinil. Segundo ele, certas características do material impõem restrições na gravação e reprodução que não existem no digital.
“Graves muito fortes, por exemplo, precisam ser controlados para que a agulha consiga acompanhar o sulco”
No comparativo feito por Bala, o CD tende a oferecer um som claro, o streaming usa tecnologias digitais capazes de entregar grande definição, enquanto o vinil costuma apresentar níveis de reprodução mais baixos, pouca compressão e dinâmica mais acentuada. Isso leva à conclusão de que fidelidade técnica e preferência sonora nem sempre coincidem: uma gravação digital pode reproduzir o sinal original com mais precisão, ao passo que uma versão em vinil pode ser percebida como mais agradável por suas características analógicas e pela masterização escolhida.
“A chamada ‘sonoridade quente do vinil não significa necessariamente que o formato seja tecnicamente superior”
Bala explica que essa sensação quente vem das pequenas distorções introduzidas pelo processo analógico e por elementos das gravações em fita, como saturação e compressão natural, que encorpam o som. Ele cita ainda que produções pensadas para o digital podem preservar dinâmicas associadas à experiência do vinil, e usa como exemplo a faixa “Get Lucky”, de Pharrell Williams.
“Com uma pick up ‘toca disco’ sem ter uma ótima qualidade, uma agulha de ponta de diamante, o sistema de pré-amplificadores de alto nível, você não terá a mesma sensação de ouvir em um streaming”
O especialista ressalta que a cadeia completa de reprodução — toca-discos, cápsula, agulha, pré-amplificador, amplificador e caixas de som — interfere diretamente no resultado final. Para quem busca exclusivamente qualidade técnica, Bala aponta vantagem ao digital.
“Em termos puramente técnicos e de qualidade sonora, o vinil não supera mais o digital”
Isso, no entanto, não significa que o vinil tenha perdido relevância. O formato continua oferecendo história, charme e uma experiência própria, especialmente para quem valoriza dinâmica e atmosfera das gravações analógicas.

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