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Aracaju, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Economia

Desmatamento nas margens de rios do Cerrado elimina 13,9 milhões de hectares

Recorte do MapBiomas mostra perda de 13,9 milhões ha nas margens de rios do Cerrado entre 1985 e 2025; agropecuária domina quase metade da área.

08/10/2026 · 12h10 · Atualizado às 13h11
Desmatamento nas margens de rios do Cerrado elimina 13,9 milhões de hectares

O bioma Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa localizados em até 500 metros de rios e outros cursos d’água entre 1985 e 2025. A área, equivalente ao tamanho do estado do Amapá, corresponde a 26,9% de toda a cobertura verde convertida para outros usos no período.

Os números constam de um recorte sobre o Cerrado divulgado nesta quinta-feira (8) na Coleção 11 do MapBiomas, que reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil.

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De acordo com Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a redução dessa cobertura pode afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água”

Entre as seis grandes bacias hidrográficas que têm origem no Cerrado, a do Alto Tocantins registrou a maior perda de vegetação nativa nas margens dos cursos d’água em 41 anos: 2,9 milhões de hectares a menos. A Bacia do Araguaia teve redução de 2,7 milhões de hectares. Juntas, Alto Tocantins e Araguaia responderam por 41% de toda a redução em até 500 metros dos rios no bioma.

Considerando todo o período analisado, o Cerrado teve perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 34% entre 1985 e 2025. Tomando a redução histórica mesmo antes de 1985, em 2025 o bioma já somava uma perda de 49,6%.

Por tipos de formação, a savânica foi a mais afetada, com perda de 41% — cerca de 34 milhões de hectares a menos. A formação florestal sofreu redução de 25% (aproximadamente 12,8 milhões de hectares) e a campestre diminuiu 39%, com cerca de 3,6 milhões de hectares a menos.

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Grande parte da vegetação nativa deu lugar à área de agropecuária, que cresceu de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, ocupando 48,9% do que antes era Cerrado. Desse total, em 2025 a agricultura ocupava 29,7 milhões de hectares e a pecuária 53,9 milhões de hectares.

Entre 1985 e 2025, cinco estados e o Distrito Federal passaram a ter menos da metade de seu território coberto por vegetação nativa e se somaram a São Paulo — que já possuía apenas 24,1% do Cerrado nativo no início da série histórica. São eles: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco.

No outro extremo, alguns estados mantiveram mais da metade de sua área com cobertura original: Piauí com 78,2%, Rondônia com 76,5% e Maranhão com 67,4%. Todos os estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) mantiveram mais de 50% de vegetação nativa em sua porção do Cerrado em 2025 e, juntos, reuniam quase metade (47,7%) da vegetação remanescente do bioma.

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Em âmbito municipal, 301 municípios deixaram de ter predomínio de vegetação nativa; desses, 227 passaram a ter menos de 20% de sua porção de Cerrado coberta por vegetação nativa. Em 2025, a agropecuária passou a predominar em 61% das regiões de Cerrado nos municípios, ante 41% em 1985.

A maior parte da perda de vegetação nativa no bioma — 77,7% — ocorreu em área privada. Em áreas protegidas ou de uso coletivo, como terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a perda em 41 anos foi de 13,9%.

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O bioma Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa localizados em até 500 metros de rios e outros cursos d’água entre 1985 e 2025. A área, equivalente ao tamanho do estado do Amapá, corresponde a 26,9% de toda a cobertura verde convertida para outros usos no período.

Os números constam de um recorte sobre o Cerrado divulgado nesta quinta-feira (8) na Coleção 11 do MapBiomas, que reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil.

De acordo com Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, a redução dessa cobertura pode afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água”

Entre as seis grandes bacias hidrográficas que têm origem no Cerrado, a do Alto Tocantins registrou a maior perda de vegetação nativa nas margens dos cursos d’água em 41 anos: 2,9 milhões de hectares a menos. A Bacia do Araguaia teve redução de 2,7 milhões de hectares. Juntas, Alto Tocantins e Araguaia responderam por 41% de toda a redução em até 500 metros dos rios no bioma.

Considerando todo o período analisado, o Cerrado teve perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 34% entre 1985 e 2025. Tomando a redução histórica mesmo antes de 1985, em 2025 o bioma já somava uma perda de 49,6%.

Por tipos de formação, a savânica foi a mais afetada, com perda de 41% — cerca de 34 milhões de hectares a menos. A formação florestal sofreu redução de 25% (aproximadamente 12,8 milhões de hectares) e a campestre diminuiu 39%, com cerca de 3,6 milhões de hectares a menos.

Grande parte da vegetação nativa deu lugar à área de agropecuária, que cresceu de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, ocupando 48,9% do que antes era Cerrado. Desse total, em 2025 a agricultura ocupava 29,7 milhões de hectares e a pecuária 53,9 milhões de hectares.

Entre 1985 e 2025, cinco estados e o Distrito Federal passaram a ter menos da metade de seu território coberto por vegetação nativa e se somaram a São Paulo — que já possuía apenas 24,1% do Cerrado nativo no início da série histórica. São eles: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco.

No outro extremo, alguns estados mantiveram mais da metade de sua área com cobertura original: Piauí com 78,2%, Rondônia com 76,5% e Maranhão com 67,4%. Todos os estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) mantiveram mais de 50% de vegetação nativa em sua porção do Cerrado em 2025 e, juntos, reuniam quase metade (47,7%) da vegetação remanescente do bioma.

Em âmbito municipal, 301 municípios deixaram de ter predomínio de vegetação nativa; desses, 227 passaram a ter menos de 20% de sua porção de Cerrado coberta por vegetação nativa. Em 2025, a agropecuária passou a predominar em 61% das regiões de Cerrado nos municípios, ante 41% em 1985.

A maior parte da perda de vegetação nativa no bioma — 77,7% — ocorreu em área privada. Em áreas protegidas ou de uso coletivo, como terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, a perda em 41 anos foi de 13,9%.

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