A Dívida Pública Federal (DPF) apresentou queda em março, influenciada pelo forte vencimento de títulos atrelados à Taxa Selic. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (27) mostram que o estoque da DPF passou de R$ 8,841 trilhões em fevereiro para R$ 8,633 trilhões em março, uma retração de 2,34%.
Na divisão por tipo de dívida, a Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) recuou 2,17%, de R$ 8,511 trilhões para R$ 8,302 trilhões. Em março, o Tesouro resgatou R$ 302,32 bilhões a mais do que emitiu, principalmente em papéis vinculados à Selic, embora a queda tenha sido atenuada pela apropriação de juros no montante de R$ 93,01 bilhões.
O Tesouro emitiu R$ 93,29 bilhões em títulos da DPMFi no mês, mas os resgates totalizaram R$ 395,60 bilhões devido ao elevado volume de vencimentos. A apropriação de juros, que reconhece mensalmente a correção dos títulos, pressiona o estoque da dívida enquanto a Selic estiver em 14,75% ao ano.
Dívida externa
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 0,61%, passando de R$ 329,65 bilhões em fevereiro para R$ 331,64 bilhões em março. Além do aumento de 1,36% no dólar, associado ao início da guerra no Oriente Médio, a alta refletiu um empréstimo de R$ 6,88 bilhões contraído com organismos internacionais no período.
Colchão
O chamado colchão da dívida pública — reserva financeira destinada a enfrentar turbulências e concentrações de vencimentos — diminuiu de R$ 1,192 trilhão em fevereiro para R$ 885 bilhões em março. O Tesouro atribuiu a queda ao resgate líquido no mês e à recompra de R$ 49 bilhões em títulos nos primeiros dias da crise no Oriente Médio para estabilizar o mercado. Atualmente, esse colchão cobre 5,69 meses de vencimentos; estão previstos R$ 1,68 trilhão em vencimentos nos próximos 12 meses.
Composição
A composição da DPF se alterou entre fevereiro e março em função dos vencimentos de papéis atrelados à Selic. A participação de títulos vinculados à Selic caiu de 49,1% para 47,71%; os títulos corrigidos pela inflação passaram de 25,85% para 26,67%; os prefixados subiram de 21,33% para 21,80%; e os vinculados ao câmbio aumentaram de 3,71% para 3,83%.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) divulgado em janeiro projeta que, ao fim de 2026, o estoque da DPF deve ficar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, e antevê os seguintes intervalos para a composição dos títulos: Selic 46%–50%; corrigidos pela inflação 23%–27%; prefixados 21%–25%; e vinculados ao câmbio 3%–7%.
Prazo e detentores
O prazo médio da DPF aumentou de 4 para 4,1 anos, indicador do tempo médio para renovação da dívida. Quanto à distribuição entre detentores, as instituições financeiras detêm 31,47% do estoque; fundos de pensão, 23%; fundos de investimento, 20,86%; não residentes, 10,7%; e demais grupos, 13,97%. A participação dos investidores estrangeiros oscilou levemente em relação a fevereiro, quando representavam 10,74%.
Por meio da emissão de títulos, o governo capta recursos de investidores mediante o compromisso de devolução futura, com correção que pode seguir a Selic, a inflação, o dólar ou ser prefixada.
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