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Aracaju, Terça-feira, 16 de junho de 2026
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Ebola avança no Congo com guerras e colapso na cooperação global

Saúde

Ebola avança no Congo com guerras e colapso na cooperação global

Conflitos no Congo e a diminuição da cooperação internacional contribuem para surto de ebola.

16/06/2026 · 00h00 · Atualizado às 13h49
Ebola avança no Congo com guerras e colapso na cooperação global

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Surto de ebola se alastra na República Democrática do Congo, com 676 casos confirmados. Conflitos armados e escassez de profissionais de saúde dificultam o controle da doença.

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As guerras que afligem o Leste da República Democrática do Congo (RDC) há décadas, aliadas à diminuição da cooperação internacional na área da saúde, têm contribuído para a proliferação do atual surto de ebola na África. A doença volta a ameaçar o continente, especialmente em um contexto de escassez de profissionais de saúde na região.

O epicentro do surto está localizado na província de Ituri, no Nordeste da RDC, que concentra 93% do total de casos confirmados, totalizando 676 no país. As províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul também são severamente afetadas, sendo essas áreas marcadas por conflitos armados.

A região, que se encontra a quase 2 mil quilômetros da capital Kinshasa, é disputada por cerca de 100 grupos paramilitares que lutam pelo controle das ricas atividades minerais da RDC. Estima-se que milhões de pessoas tenham sido deslocadas devido aos conflitos locais.

“O surto está se desenrolando em um contexto humanitário complexo e afetado por conflitos, caracterizado por populações altamente móveis e frequentemente deslocadas”, destacou um informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), acrescentando que a situação continua a evoluir rapidamente.

O professor Nuno Carlos de Fragoso Vidal, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou que o surto emergiu em uma área marginalizada sob influência de Ruanda, que apoia o grupo paramilitar M23. Segundo ele, esse conflito latente já causou dezenas de milhares de mortes ao longo dos anos e a presença de grupos armados torna difícil o acesso de equipes de saúde.

“Esses acordos não saem do papel porque emergiu em Ruanda um presidente com pretensões de controlar uma vasta região e recursos que não pertencem ao país. E ele é muito protegido pelo Ocidente”, comentou o professor.

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Além da RDC, o surto de ebola também afeta Uganda, onde a OMS relaciona os casos à transmissão originada na RDC. A diminuição da cooperação internacional nos últimos anos é citada como um agravante para o surto, com a saída dos Estados Unidos da OMS, que era o maior doador da organização.

A ajuda internacional dos EUA destinada à RDC caiu drasticamente, de US$ 1,41 bilhões em 2024 para apenas US$ 0,14 bilhões em 2026. Essa redução reflete a política de diminuição da ajuda internacional promovida nos últimos anos.

Apesar da queda no financiamento, os EUA continuam sendo o maior doador para o combate ao ebola, com cerca de US$ 338 milhões em assistência humanitária direcionada à RDC, Sudão do Sul e Uganda.

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O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes de Sousa, enfatizou que a falta de recursos e o desmantelamento das estruturas de governança da saúde global trazem incertezas no combate ao surto de ebola.

“Os repasses, que antes ocorriam através de estruturas conhecidas, agora ficaram ligados a negociações bilaterais contaminadas por interesses comerciais”, explicou o epidemiologista.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Africanos da ESPM, Natalia Fingermann, destacou que as mudanças nas formas de cooperação dificultam o monitoramento da aplicação dos recursos, complicando ainda mais o cenário.

Recentemente, a OMS informou que três laboratórios na RDC enfrentam falta de insumos para testes de detecção do vírus ebola, evidenciando a gravidade da situação de saúde na região.

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Surto de ebola se alastra na República Democrática do Congo, com 676 casos confirmados. Conflitos armados e escassez de profissionais de saúde dificultam o controle da doença.

As guerras que afligem o Leste da República Democrática do Congo (RDC) há décadas, aliadas à diminuição da cooperação internacional na área da saúde, têm contribuído para a proliferação do atual surto de ebola na África. A doença volta a ameaçar o continente, especialmente em um contexto de escassez de profissionais de saúde na região.

O epicentro do surto está localizado na província de Ituri, no Nordeste da RDC, que concentra 93% do total de casos confirmados, totalizando 676 no país. As províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul também são severamente afetadas, sendo essas áreas marcadas por conflitos armados.

A região, que se encontra a quase 2 mil quilômetros da capital Kinshasa, é disputada por cerca de 100 grupos paramilitares que lutam pelo controle das ricas atividades minerais da RDC. Estima-se que milhões de pessoas tenham sido deslocadas devido aos conflitos locais.

“O surto está se desenrolando em um contexto humanitário complexo e afetado por conflitos, caracterizado por populações altamente móveis e frequentemente deslocadas”, destacou um informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), acrescentando que a situação continua a evoluir rapidamente.

O professor Nuno Carlos de Fragoso Vidal, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou que o surto emergiu em uma área marginalizada sob influência de Ruanda, que apoia o grupo paramilitar M23. Segundo ele, esse conflito latente já causou dezenas de milhares de mortes ao longo dos anos e a presença de grupos armados torna difícil o acesso de equipes de saúde.

“Esses acordos não saem do papel porque emergiu em Ruanda um presidente com pretensões de controlar uma vasta região e recursos que não pertencem ao país. E ele é muito protegido pelo Ocidente”, comentou o professor.

Além da RDC, o surto de ebola também afeta Uganda, onde a OMS relaciona os casos à transmissão originada na RDC. A diminuição da cooperação internacional nos últimos anos é citada como um agravante para o surto, com a saída dos Estados Unidos da OMS, que era o maior doador da organização.

A ajuda internacional dos EUA destinada à RDC caiu drasticamente, de US$ 1,41 bilhões em 2024 para apenas US$ 0,14 bilhões em 2026. Essa redução reflete a política de diminuição da ajuda internacional promovida nos últimos anos.

Apesar da queda no financiamento, os EUA continuam sendo o maior doador para o combate ao ebola, com cerca de US$ 338 milhões em assistência humanitária direcionada à RDC, Sudão do Sul e Uganda.

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes de Sousa, enfatizou que a falta de recursos e o desmantelamento das estruturas de governança da saúde global trazem incertezas no combate ao surto de ebola.

“Os repasses, que antes ocorriam através de estruturas conhecidas, agora ficaram ligados a negociações bilaterais contaminadas por interesses comerciais”, explicou o epidemiologista.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Africanos da ESPM, Natalia Fingermann, destacou que as mudanças nas formas de cooperação dificultam o monitoramento da aplicação dos recursos, complicando ainda mais o cenário.

Recentemente, a OMS informou que três laboratórios na RDC enfrentam falta de insumos para testes de detecção do vírus ebola, evidenciando a gravidade da situação de saúde na região.

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