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Clima

El Niño ameaça agricultura e agrava seca no Nordeste brasileiro

O El Niño, fenômeno climático, impacta culturas tropicais e traz desafios para agricultores.

17/06/2026 · 00h00 · Atualizado às 15h25
El Niño ameaça agricultura e agrava seca no Nordeste brasileiro

O fenômeno climático El Niño altera chuvas e temperaturas em todo o planeta. Para o Nordeste, o risco é de secas severas que comprometem plantações e o abastecimento de água.

O El Niño representa o aquecimento das temperaturas da superfície do mar no Pacífico Oriental, que ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios. Este fenômeno natural acontece a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove a 12 meses.

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Com a formação do El Niño, o padrão climático global sofre alterações, resultando em temperaturas mais altas em diversas partes do mundo. Regiões como o Sul e o Sudeste Asiático, Austrália e Sul da África costumam enfrentar secas severas, enquanto áreas do sul da América do Sul e dos Estados Unidos são afetadas por chuvas intensas.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) confirmou oficialmente a formação do El Niño na última semana, informando também que a intensidade do fenômeno deve aumentar. Existe uma probabilidade de 63% de que um El Niño muito forte ou “super El Niño” se desenvolva até 2027.

As consequências do El Niño, como secas, calor excessivo ou chuvas intensas, impactam significativamente os agricultores que, neste ano, já enfrentam dificuldades devido aos altos preços de fertilizantes e do diesel, afetados pela guerra no Oriente Médio. Historicamente, as soft commodities costumam registrar aumentos drásticos de preços durante episódios passados de El Niño.

De acordo com a empresa de investimentos WisdomTree, todos os eventos fortes de El Niño nos últimos 55 anos resultaram em redução na produção de cacau. Durante o último fenômeno, que ocorreu entre 2023 e 2024, a África Ocidental, principal produtora mundial, enfrentou um aumento de pluviosidade, expondo os cacaueiros a doenças fúngicas. Em 2024, a situação se inverteu, com calor intenso e ventos secos, fazendo com que as árvores perdessem suas flores.

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“Todo mundo pensa que o El Niño está associado apenas a secas na África Ocidental. Isso não é necessariamente verdade. Devido às mudanças climáticas, o resultado, às vezes, é o excesso de chuva no começo. E no momento, essa é a minha maior preocupação”, afirmou Jim Roemer, da consultoria Best Weather.

Cerca de metade do cacau do mundo é cultivado na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores. O Equador é o terceiro e também costuma registrar excesso de chuvas durante os episódios de El Niño. Os preços do cacau quase triplicaram em 2024 após o fracasso da safra na África Ocidental, alcançando níveis recordes acima de US$ 12.000 por tonelada métrica.

O café robusta, conhecido como conilon, também sofre com os efeitos do El Niño, que traz temperaturas mais altas e chuvas reduzidas para o Vietnã e Indonésia, responsáveis por cerca de 50% da produção mundial deste tipo de café. Analistas apontam que a seca nessas regiões pode reduzir significativamente a produtividade do produto.

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Para o café arábica, cuja produção é significativa no Brasil, os efeitos do El Niño são mais sutis. Carlos Santana, diretor comercial da EISA, indica que o fenômeno poderia inicialmente beneficiar a safra atual, mas, a longo prazo, tende a trazer seca e calor para as regiões cafeeiras brasileiras, comprometendo a produção em 2027.

Por fim, o El Niño também afeta a produção de açúcar, uma das commodities mais negociadas globalmente. Normalmente, o fenômeno traz excesso de chuva na segunda metade do ano, o que pode comprometer a colheita no Brasil. Na Índia, as monções de 2026 devem trazer o menor índice de chuvas em 11 anos, o que pode impactar a produção local. Carlos de Mello, da corretora Hedgepoint, alerta que mesmo um El Niño moderado pode reduzir a produção da Índia em cerca de 1 milhão de toneladas métricas.

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O fenômeno climático El Niño altera chuvas e temperaturas em todo o planeta. Para o Nordeste, o risco é de secas severas que comprometem plantações e o abastecimento de água.

O El Niño representa o aquecimento das temperaturas da superfície do mar no Pacífico Oriental, que ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios. Este fenômeno natural acontece a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove a 12 meses.

Com a formação do El Niño, o padrão climático global sofre alterações, resultando em temperaturas mais altas em diversas partes do mundo. Regiões como o Sul e o Sudeste Asiático, Austrália e Sul da África costumam enfrentar secas severas, enquanto áreas do sul da América do Sul e dos Estados Unidos são afetadas por chuvas intensas.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) confirmou oficialmente a formação do El Niño na última semana, informando também que a intensidade do fenômeno deve aumentar. Existe uma probabilidade de 63% de que um El Niño muito forte ou “super El Niño” se desenvolva até 2027.

As consequências do El Niño, como secas, calor excessivo ou chuvas intensas, impactam significativamente os agricultores que, neste ano, já enfrentam dificuldades devido aos altos preços de fertilizantes e do diesel, afetados pela guerra no Oriente Médio. Historicamente, as soft commodities costumam registrar aumentos drásticos de preços durante episódios passados de El Niño.

De acordo com a empresa de investimentos WisdomTree, todos os eventos fortes de El Niño nos últimos 55 anos resultaram em redução na produção de cacau. Durante o último fenômeno, que ocorreu entre 2023 e 2024, a África Ocidental, principal produtora mundial, enfrentou um aumento de pluviosidade, expondo os cacaueiros a doenças fúngicas. Em 2024, a situação se inverteu, com calor intenso e ventos secos, fazendo com que as árvores perdessem suas flores.

“Todo mundo pensa que o El Niño está associado apenas a secas na África Ocidental. Isso não é necessariamente verdade. Devido às mudanças climáticas, o resultado, às vezes, é o excesso de chuva no começo. E no momento, essa é a minha maior preocupação”, afirmou Jim Roemer, da consultoria Best Weather.

Cerca de metade do cacau do mundo é cultivado na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores. O Equador é o terceiro e também costuma registrar excesso de chuvas durante os episódios de El Niño. Os preços do cacau quase triplicaram em 2024 após o fracasso da safra na África Ocidental, alcançando níveis recordes acima de US$ 12.000 por tonelada métrica.

O café robusta, conhecido como conilon, também sofre com os efeitos do El Niño, que traz temperaturas mais altas e chuvas reduzidas para o Vietnã e Indonésia, responsáveis por cerca de 50% da produção mundial deste tipo de café. Analistas apontam que a seca nessas regiões pode reduzir significativamente a produtividade do produto.

Para o café arábica, cuja produção é significativa no Brasil, os efeitos do El Niño são mais sutis. Carlos Santana, diretor comercial da EISA, indica que o fenômeno poderia inicialmente beneficiar a safra atual, mas, a longo prazo, tende a trazer seca e calor para as regiões cafeeiras brasileiras, comprometendo a produção em 2027.

Por fim, o El Niño também afeta a produção de açúcar, uma das commodities mais negociadas globalmente. Normalmente, o fenômeno traz excesso de chuva na segunda metade do ano, o que pode comprometer a colheita no Brasil. Na Índia, as monções de 2026 devem trazer o menor índice de chuvas em 11 anos, o que pode impactar a produção local. Carlos de Mello, da corretora Hedgepoint, alerta que mesmo um El Niño moderado pode reduzir a produção da Índia em cerca de 1 milhão de toneladas métricas.

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