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Economia

Haddad afirma que elite brasileira trata o Estado como propriedade privada

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (7), em São Paulo, que a classe dominante do país encara o Estado como um bem particular. A declaração foi feita durante o lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, no Sesc 14 Bis, em um debate que contou com a participação do sociólogo Celso Rocha de Barros […]

07/02/2026 · 21h06
Haddad afirma que elite brasileira trata o Estado como propriedade privada

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (7), em São Paulo, que a classe dominante do país encara o Estado como um bem particular. A declaração foi feita durante o lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, no Sesc 14 Bis, em um debate que contou com a participação do sociólogo Celso Rocha de Barros e mediação da historiadora Lilia Schwarcz.

Origens históricas

Segundo Haddad, a estrutura estatal brasileira foi “entregue aos fazendeiros como indenização pela abolição da escravidão”. Ele lembrou que o movimento republicano teve início em 14 de maio de 1888 — um dia após a assinatura da Lei Áurea — e obteve êxito no ano seguinte, consolidando a influência da elite agrária sobre o poder público.

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“Quando esse acordo, respaldado pelas Forças Armadas, é contestado, a reação é imediata”, disse o ministro, atribuindo à resistência da elite a fragilidade histórica da democracia no país.

Livro aborda desigualdade e novas configurações de classe

Publicado pela Companhia das Letras, Capitalismo Superindustrial analisa o caminho que levou ao atual modelo de competição global, marcado por desigualdades crescentes. Haddad sustenta que, sem ação do Estado, a dinâmica capitalista intensifica a concentração de renda: “Deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade absoluta”.

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A obra reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético produzidos pelo autor nas décadas de 1980 e 1990, ampliados com reflexões sobre a ascensão chinesa. Haddad investiga formas de acumulação primitiva de capital no Oriente, destacando que processos revolucionários na região foram antissistêmicos e anti-imperialistas, embora marcados internamente por forte coerção estatal.

Para o ministro, essas revoluções promoveram avanços nas forças produtivas, mas não alcançaram plenamente os ideais que motivaram seus líderes, evidenciando contradições inerentes aos processos de desenvolvimento.

 

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (7), em São Paulo, que a classe dominante do país encara o Estado como um bem particular. A declaração foi feita durante o lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, no Sesc 14 Bis, em um debate que contou com a participação do sociólogo Celso Rocha de Barros e mediação da historiadora Lilia Schwarcz.

Origens históricas

Segundo Haddad, a estrutura estatal brasileira foi “entregue aos fazendeiros como indenização pela abolição da escravidão”. Ele lembrou que o movimento republicano teve início em 14 de maio de 1888 — um dia após a assinatura da Lei Áurea — e obteve êxito no ano seguinte, consolidando a influência da elite agrária sobre o poder público.

“Quando esse acordo, respaldado pelas Forças Armadas, é contestado, a reação é imediata”, disse o ministro, atribuindo à resistência da elite a fragilidade histórica da democracia no país.

Livro aborda desigualdade e novas configurações de classe

Publicado pela Companhia das Letras, Capitalismo Superindustrial analisa o caminho que levou ao atual modelo de competição global, marcado por desigualdades crescentes. Haddad sustenta que, sem ação do Estado, a dinâmica capitalista intensifica a concentração de renda: “Deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade absoluta”.

A obra reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético produzidos pelo autor nas décadas de 1980 e 1990, ampliados com reflexões sobre a ascensão chinesa. Haddad investiga formas de acumulação primitiva de capital no Oriente, destacando que processos revolucionários na região foram antissistêmicos e anti-imperialistas, embora marcados internamente por forte coerção estatal.

Para o ministro, essas revoluções promoveram avanços nas forças produtivas, mas não alcançaram plenamente os ideais que motivaram seus líderes, evidenciando contradições inerentes aos processos de desenvolvimento.

 

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