Emília Corrêa apresentou ao Ministério Público proposta de reorganização das feiras livres de Aracaju. Projeto prevê adequação sanitária, melhores condições para feirantes e mais segurança alimentar.
A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, participou, nesta terça-feira, 4, de uma audiência no auditório do Ministério Público de Sergipe (MPSE) para apresentar a proposta da Prefeitura de reorganização, modernização e reestruturação das feiras livres da capital. A iniciativa visa adequar esses espaços às normas sanitárias vigentes, melhorar as condições de trabalho dos feirantes e oferecer mais segurança alimentar à população.
O encontro foi solicitado pela administração municipal para discutir a nova modelagem das feiras, um tema que é acompanhado pelo Ministério Público há décadas. A principal preocupação gira em torno da comercialização de produtos de origem animal, como carnes, pescados e laticínios, que ainda são vendidos em várias feiras sem a estrutura de refrigeração exigida pela legislação.
As discussões têm como base as normas federais que regulamentam o armazenamento e a comercialização desses produtos, estabelecendo critérios como controle sanitário, conservação em temperaturas adequadas e acondicionamento correto dos alimentos, medidas essenciais para garantir a saúde dos consumidores.
“A feira livre é muito importante para a cidade, para os comerciantes e para os consumidores. Precisamos fazer uma modernização com dignidade, atendendo às exigências sanitárias e ouvindo quem trabalha diariamente nesses espaços. Esse encontro é um ponto de partida para encontrarmos a melhor solução para todos”, afirmou a prefeita.
A prefeita também destacou que o novo processo licitatório permitirá a disponibilização de estruturas mais adequadas às diferentes atividades desenvolvidas nas feiras, respeitando as especificidades de cada segmento. A proposta apresentada pela Prefeitura inclui a instalação de toldos padronizados, balcões refrigerados para alimentos perecíveis, açougues móveis para a comercialização de carnes dentro das normas sanitárias e a padronização das bancas, proporcionando mais organização, higiene, conforto e segurança para feirantes e consumidores.
A implantação ocorrerá por meio de um novo processo licitatório, que será conduzido de forma transparente e aberto à participação das empresas interessadas. Outro ponto discutido foi a atualização dos valores cobrados pela utilização das novas estruturas. De acordo com a proposta, as tarifas serão reajustadas com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), podendo variar conforme o tipo de banca e os equipamentos disponibilizados.
“Fico muito feliz em fazer parte deste momento. É uma mudança de paradigma. Encontramos diversos setores que precisavam de transformação, e as feiras livres estavam entre eles. Desde o início da gestão buscamos uma solução para chegar a esta proposta, construída com diálogo junto aos feirantes. É uma verdadeira virada de chave, que representa mais qualidade tanto para os comerciantes quanto para os consumidores”, afirmou o presidente da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Hugo Esoj.
A promotora de Justiça Euza Missano destacou que a comercialização de produtos de origem animal sem refrigeração adequada é uma preocupação antiga do Ministério Público e reforçou a necessidade de adequação das feiras públicas.
“Não é aceitável que, após tantos anos, produtos de origem animal continuem sendo comercializados sem a correspondente refrigeração. Isso impacta diretamente a saúde dos consumidores e também prejudica os próprios feirantes”, ressaltou a promotora.
Os feirantes também participaram da audiência, apresentando dúvidas, sugestões e avaliações sobre as mudanças propostas. A feirante Maria Rosita, das feiras dos conjuntos Agamenon Magalhães e São Carlos, aprovou a iniciativa, destacando a expectativa de melhorias na situação atual.
“Realmente enfrentamos algumas dificuldades, mas a expectativa é que agora a situação melhore. Gostei muito da proposta. É uma solução viável tanto para nós quanto para os consumidores, que terão mais qualidade”, comentou.
Outra comerciante ressaltou que a modernização contribuirá para fortalecer a atividade e tornar a concorrência mais equilibrada. Maria Eugênia destacou a importância de discutir os valores para não onerar os feirantes e sugeriu melhorias nos banheiros.
“A proposta é muito boa e traz avanços importantes para as feiras. Minha sugestão é que os valores sejam discutidos para não pesar para os feirantes e que também haja melhorias nos banheiros. A gente sabe que existe a concorrência dos supermercados, então é importante que as mudanças fortaleçam ainda mais quem trabalha e vive da feira livre”, afirmou.
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