Cofundador da Gol, Constantino Júnior deixa legado de inovação, acesso ao transporte aéreo e transformação do setor no país
O empresário Constantino Júnior, um dos nomes mais influentes da história recente da aviação brasileira, morreu neste sábado, aos 57 anos, em São Paulo, após enfrentar por alguns anos um câncer. Cofundador da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, ele ocupava atualmente a presidência do Conselho de Administração da companhia e era presidente executivo do Grupo Abra, holding que controla a Gol e a Avianca.
Filho do empresário Nenê Constantino, Constantino Júnior foi peça-chave na revolução do transporte aéreo no Brasil, ao introduzir o modelo low cost, que tornou as passagens mais acessíveis e permitiu que milhões de brasileiros viajassem de avião pela primeira vez nas últimas duas décadas.
Formado em Administração de Empresas pela Universidade do Distrito Federal, com especialização em gestão corporativa internacional, ele aprendeu a pilotar aeronaves ainda na adolescência. Em 2001, ao lado dos irmãos Joaquim, Ricardo e Henrique, fundou a Gol, assumindo o posto de primeiro CEO da empresa. Seu estilo de gestão ousado levou a companhia, em apenas três anos, a abrir capital simultaneamente na B3 e na Bolsa de Nova York (NYSE).

Sob sua liderança, a Gol cresceu por meio de aquisições estratégicas, como Varig e Webjet, ampliando frota, rotas e participação de mercado. Em 2013, a companhia chegou a deter 37,3% da aviação doméstica, consolidando-se entre as maiores do país. Também estabeleceu alianças internacionais com grandes companhias globais, expandindo a conectividade do Brasil com o exterior.
A trajetória de Constantino também teve momentos difíceis, como o acidente do voo Gol 1907, em 2006, e mais recentemente a recuperação judicial da companhia, agravada pelos impactos da pandemia. Ainda assim, seu papel foi decisivo na reestruturação do setor.
Fora da aviação, ele mantinha forte ligação com o automobilismo, sendo campeão da Porsche GT3 Cup Challenge Brasil em 2011. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios por liderança, inovação e empreendedorismo.
Em notas oficiais, Gol, Grupo Abra, Azul, Latam, Abear e autoridades do governo federal lamentaram a perda, destacando sua visão estratégica, humanidade e contribuição histórica para a democratização da aviação no Brasil.
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