Pular para o conteúdo principal
Aracaju, Sábado, 26 de setembro de 2026
Pular para o conteúdo
Educação

Resultado do Enamed reacende debate sobre fiscalização de cursos de medicina

Cerca de 30% dos cursos de medicina avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) apresentaram desempenho considerado insatisfatório, por terem menos de 60% dos estudantes acima da nota mínima de proficiência. A maioria dessas faculdades é municipal ou privada com fins lucrativos. Diante do resultado, o Ministério da Educação […]

25/01/2026 · 15h53
Resultado do Enamed reacende debate sobre fiscalização de cursos de medicina

Cerca de 30% dos cursos de medicina avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) apresentaram desempenho considerado insatisfatório, por terem menos de 60% dos estudantes acima da nota mínima de proficiência. A maioria dessas faculdades é municipal ou privada com fins lucrativos.

Diante do resultado, o Ministério da Educação (MEC) anunciou sanções às instituições com pior rendimento. Ao mesmo tempo, entidades como o Conselho Federal de Medicina voltaram a defender um exame de proficiência para recém-formados antes da emissão do registro profissional.

Publicidade

Fiscalização é prioridade, afirma docente da Unicamp

A professora Eliana Amaral, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e vice-presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, considera que o fortalecimento da regulação sobre as faculdades é a medida mais relevante para assegurar a qualidade da formação médica.

“A instituição que decide abrir uma escola de medicina assume responsabilidade com a sociedade. Cabe ao sistema de regulação orientar soluções, estabelecer plano de trabalho e exigir compromisso”, afirmou.

Eliana lembra que, antes do Enamed, os formandos já passavam pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e que muitas fragilidades já eram conhecidas. Para a docente, entretanto, o desempenho em prova não deve ser o único critério de qualidade, pois o Enade já foi alvo de boicotes. Ela ressalta que o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior prevê, além das notas, visitas in loco para verificar infraestrutura e ensino prático.

Ensino prático sob risco de expansão desenfreada

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, também defende maior fiscalização. Ele avalia que a expansão acelerada de vagas de medicina colocou o estágio prático em risco. “Quase metade do curso precisa ocorrer em campo prático, o que exige bons laboratórios, unidades básicas, pronto-atendimentos e ambulatórios”, disse.

Você pode se interessarConteúdo patrocinado · MGID

Para Fernandes, a falta de médicos em determinadas regiões não se resolve com a abertura de novas escolas, mas com melhorias na infraestrutura de saúde e oferta de salários atrativos. “É equivocado criar escolas como bancos assistenciais em municípios sem condições de atender à população nem de servir como campo de ensino”, afirmou.

Estudantes pedem acompanhamento constante

Recém-aprovada na prova, Vanessa Conceição da Cruz concluirá o curso neste mês na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, instituição que obteve nota máxima no Enamed. Ela destaca a qualidade da formação prática, garantida por parcerias com municípios vizinhos e contato precoce com pacientes.

“A prova trouxe muitas questões sobre diagnóstico e tratamento, que entendemos melhor nos estágios. Por isso é importante verificar se as faculdades oferecem cenários práticos suficientes, principalmente na atenção primária, onde os recém-formados costumam atuar”, afirmou.

Publicidade

Especialistas esperam que o debate gerado pelo Enamed impulsione uma fiscalização mais rígida das escolas médicas, garantindo condições de estágio adequadas e mantendo o padrão histórico de qualidade da formação no país.

 

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Recomendado para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
Mais conteúdos para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Sugeridas pra vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
3 min de leitura

Cerca de 30% dos cursos de medicina avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) apresentaram desempenho considerado insatisfatório, por terem menos de 60% dos estudantes acima da nota mínima de proficiência. A maioria dessas faculdades é municipal ou privada com fins lucrativos.

Diante do resultado, o Ministério da Educação (MEC) anunciou sanções às instituições com pior rendimento. Ao mesmo tempo, entidades como o Conselho Federal de Medicina voltaram a defender um exame de proficiência para recém-formados antes da emissão do registro profissional.

Fiscalização é prioridade, afirma docente da Unicamp

A professora Eliana Amaral, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e vice-presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, considera que o fortalecimento da regulação sobre as faculdades é a medida mais relevante para assegurar a qualidade da formação médica.

“A instituição que decide abrir uma escola de medicina assume responsabilidade com a sociedade. Cabe ao sistema de regulação orientar soluções, estabelecer plano de trabalho e exigir compromisso”, afirmou.

Eliana lembra que, antes do Enamed, os formandos já passavam pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e que muitas fragilidades já eram conhecidas. Para a docente, entretanto, o desempenho em prova não deve ser o único critério de qualidade, pois o Enade já foi alvo de boicotes. Ela ressalta que o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior prevê, além das notas, visitas in loco para verificar infraestrutura e ensino prático.

Ensino prático sob risco de expansão desenfreada

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, também defende maior fiscalização. Ele avalia que a expansão acelerada de vagas de medicina colocou o estágio prático em risco. “Quase metade do curso precisa ocorrer em campo prático, o que exige bons laboratórios, unidades básicas, pronto-atendimentos e ambulatórios”, disse.

Para Fernandes, a falta de médicos em determinadas regiões não se resolve com a abertura de novas escolas, mas com melhorias na infraestrutura de saúde e oferta de salários atrativos. “É equivocado criar escolas como bancos assistenciais em municípios sem condições de atender à população nem de servir como campo de ensino”, afirmou.

Estudantes pedem acompanhamento constante

Recém-aprovada na prova, Vanessa Conceição da Cruz concluirá o curso neste mês na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, instituição que obteve nota máxima no Enamed. Ela destaca a qualidade da formação prática, garantida por parcerias com municípios vizinhos e contato precoce com pacientes.

“A prova trouxe muitas questões sobre diagnóstico e tratamento, que entendemos melhor nos estágios. Por isso é importante verificar se as faculdades oferecem cenários práticos suficientes, principalmente na atenção primária, onde os recém-formados costumam atuar”, afirmou.

Especialistas esperam que o debate gerado pelo Enamed impulsione uma fiscalização mais rígida das escolas médicas, garantindo condições de estágio adequadas e mantendo o padrão histórico de qualidade da formação no país.

 

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Publicidade

EM ALTA AGORA