Brasília – O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) empregou, pela primeira vez, o modelo testlets na elaboração das 90 questões de linguagens e ciências humanas aplicadas no primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, realizado no último domingo (9).
A adoção do novo formato foi anunciada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante coletiva de imprensa na sede do Inep, na capital federal. A metodologia agrupa várias perguntas a partir de um único texto-base, com o objetivo de aferir de forma mais ampla os conhecimentos adquiridos pelos estudantes ao longo da educação básica.
Expansão e sigilo
O segundo dia de provas está marcado para o próximo domingo (16), em mais de 1,8 mil municípios dos 26 estados e do Distrito Federal, mas o instituto não confirma se o modelo também foi aplicado às 90 questões de matemática e ciências da natureza. “O Inep não divulga previamente informações sobre prova por questões de segurança e sigilo”, informou a autarquia, em nota.
A diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, Hilda Linhares, adiantou que a intenção é ampliar o uso dos testlets para outras áreas de conhecimento nas próximas edições.
Como funciona o formato
O testlet avalia desde a compreensão literal até a capacidade de fazer inferências e aplicar conceitos. Embora as questões compartilhem o mesmo texto, cada uma permanece independente, sem que a resposta de uma influencie a solução de outra.
Segundo o Inep, o modelo traz vantagens como:
- redução do tamanho da prova;
- diminuição da leitura repetitiva de diversos trechos;
- possibilidade de trabalhar textos mais próximos da fonte original;
- inclusão de contextos mais complexos;
- avaliação de tarefas cognitivas de maior complexidade.
Opinião de especialistas
Para a diretora de Avaliações da Arco e porta-voz da plataforma SAS Educação, Camila Karino, a mudança representa um avanço. “Com um texto por questão, era preciso escolher trechos curtos, o que limitava a avaliação de entendimentos mais profundos. Os testlets permitem textos mais densos e habilidades mais complexas”, afirmou. Ela não prevê impacto significativo no tempo total de prova.
Karino lembra que vestibulares como os da UERJ, Unesp, UFRGS, Uece, Fuvest e o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB já utilizam blocos de questões baseados em um mesmo texto, embora nem todos explorem todo o potencial do formato.
Nota continua com a TRI
A educadora destaca que o testlet não substitui a Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo estatístico que o Inep mantém para calcular a proficiência dos participantes.
As notas do Enem podem ser usadas para acesso a universidades públicas, obtenção de bolsas em instituições privadas, financiamento estudantil, estudo em Portugal e certificação do ensino médio, entre outras finalidades.
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