A ata da primeira reunião de política monetária do Federal Reserve, presidida por Kevin Warsh, será divulgada nesta quarta-feira (8). O documento pode esclarecer a dinâmica interna que ocorreu durante dois dias no mês passado, quando as autoridades decidiram manter a taxa de juros inalterada, além de reafirmar seu compromisso com o controle da inflação.
Um dos principais pontos de incerteza em torno da divulgação da ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), realizada entre 16 e 17 de junho, é se Warsh irá reestruturar o documento da mesma forma que fez com a comunicação divulgada após o encontro. Nesta, foram removidas todas as orientações futuras e reduzidas as descrições das condições econômicas atuais.
Os membros do Fed presentes na reunião concordaram unanimemente em manter a taxa de referência entre 3,50% e 3,75%. As previsões atualizadas apresentadas por todos, exceto Warsh, indicaram um comitê que se distanciou dos cortes nos juros que eram projetados anteriormente. Agora, as opiniões estão divididas entre aqueles que consideram que manter os juros é a melhor opção para este ano e aqueles que veem a necessidade de um aumento, pelo menos uma vez, devido à inflação impulsionada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Atualmente, a inflação está aproximadamente duas vezes acima da meta de 2% do Fed. O mercado de trabalho, por sua vez, parece ter se estabilizado após um período de enfraquecimento durante a maior parte do ano passado. Vale lembrar que Warsh foi nomeado pelo presidente Donald Trump, que defende juros mais baixos e criticou o ex-chair Jerome Powell por não ter agido rapidamente o suficiente nesse sentido.
Diante disso, Warsh adotou um tom mais rigoroso durante sua primeira coletiva de imprensa, enfatizando repetidamente o compromisso do Fed com o controle da inflação, enquanto mencionou pouco sobre a meta de pleno emprego. Os investidores agora aguardam um aumento dos juros ainda este ano.
O novo presidente do Fed prometeu reformas significativas para a instituição e, após a reunião, anunciou a criação de cinco grupos de trabalho para revisar a maneira como o Fed conduz suas atividades, que abrangem desde a estratégia de comunicação até os dados utilizados para avaliar a economia.
Com as mudanças no comunicado de política monetária, as atas podem ganhar ainda mais importância para ajudar investidores e analistas a entender a lógica do Fed, a menos que o Fomc, sob a liderança de Warsh, diminua o nível de detalhes fornecidos sobre as discussões e dados econômicos apresentados na reunião. Ao descrever as diferentes visões expressas na reunião e o número de autoridades do Fed que concordam ou discordam, as atas podem fazer com que futuras decisões sobre a taxa de juros pareçam mais ou menos prováveis.
Isso pode se aproximar do tipo de orientação futura que Warsh deseja evitar, levando alguns analistas a prever que a ata será mais curta e, provavelmente, mais austera em termos de informações fornecidas. “Warsh evitou explicitamente dar orientações sobre a política monetária no comunicado e na coletiva de imprensa, então parece improvável que ele permita tal orientação por meio da ata”, afirmou Steve Englander, chefe de estratégia macroeconômica para a América do Norte do Standard Chartered.
“Sua imagem de uma ‘briga de família’ para caracterizar uma discussão vigorosa sobre a política monetária também pode carregar a conotação de sigilo que costuma estar associada a brigas de família.”
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