O Fórum das CUTs do Nordeste reuniu, nos dias 22 e 23 de setembro, em Recife, presidentes das Centrais Únicas dos Trabalhadores (CUT) dos nove estados da região e dirigentes das executivas estaduais para discutir políticas de desenvolvimento e a participação dos trabalhadores nas instâncias de decisão.
Estrutura do encontro
O colegiado é dividido em três sub-regiões: sul (Sergipe, Alagoas e Bahia), coordenada pelo professor Roberto Silva; centro (Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte), sob comando de Irailson Nunes; e norte (Piauí, Ceará e Maranhão), dirigida por Manuel Lajes. A Escola Nordeste da CUT conta com a coordenação de Messias Vale (BA), Lúcia Silveira (CE), Eliane Bandeira (RN) e Paulo Sousa (PE).
Debates do primeiro dia
No painel de abertura, Fausto Augusto Jr., presidente do Conselho Nacional do SESI, destacou o potencial de crescimento econômico da região e apresentou a Nova Indústria Brasil, política federal voltada à reindustrialização do país.
SUDENE em foco
Na segunda jornada, o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), Francisco Ferreira Alexandre, traçou um histórico da autarquia — extinta no governo Fernando Henrique Cardoso, retomada na gestão Lula e esvaziada no governo Bolsonaro — e afirmou que, no atual mandato de Lula, a instituição voltou a ser o “principal motor” dos investimentos na região.
Ele lembrou que a missão da SUDENE é executar o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste, que prevê R$ 54 bilhões em investimentos voltados à inclusão social, sustentabilidade e trabalho decente. Alexandre também ressaltou a possibilidade de firmar parcerias com universidades, movimentos sindicais, institutos de pesquisa e bancos executores, citando os trâmites para um Termo de Cooperação Técnica com a CUT.
Desafios trabalhistas
O superintendente alertou para a precarização das relações de trabalho, a falta de proteção aos trabalhadores de aplicativos e a persistência de casos de trabalho análogo à escravidão, reafirmando o compromisso da SUDENE com o desenvolvimento aliado a condições laborais dignas.
Perspectiva sindical
O estudioso Roberto Veras abordou os desafios do movimento sindical frente às políticas de desenvolvimento. Para o Fórum, o avanço industrial precisa vir acompanhado de ações contra desigualdades sociais, proteção ambiental, respeito a direitos trabalhistas, fortalecimento da organização sindical e garantia da negociação coletiva.
Encerramento
Roberto Silva, presidente da CUT-SE, defendeu contrapartidas do setor empresarial e maior diálogo com o Consórcio de Governadores do Nordeste. O evento terminou com a reafirmação de que o desenvolvimento regional deve incluir justiça social, distribuição de renda e valorização do trabalho, garantindo participação ativa dos trabalhadores na formulação de políticas públicas.
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