A Fraternidade Sacerdotal São Pio 10 (FSSPX), congregação católica em desacordo com a Santa Sé, atrai fiéis para suas missas na capela localizada na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. A FSSPX se prepara para a ordenação de quatro novos bispos, marcada para o dia 1º de julho, na cidade suíça de Écône. Essa cerimônia ocorre sem a autorização do papa Leão 14, o que, segundo o Vaticano, pode resultar em sanções canônicas e ser interpretado como uma ruptura formal com a Igreja Católica.
No Brasil, a FSSPX possui 14 capelas espalhadas por 8 Estados e realiza suas missas segundo o rito tridentino, que antecede as reformas do Concílio Vaticano 2º, realizado entre 1962 e 1965. Nesse rito, as celebrações são conduzidas em latim, que foi a língua oficial das cerimônias católicas por séculos. Durante a maior parte da missa, o sacerdote permanece voltado para o altar, simbolizando a direção comum das orações da assembleia a Deus.
Na manhã de hoje, a missa das 9h na capela Priorado Padre Anchieta contou com a presença de cerca de 170 fiéis, entre homens e mulheres. O uso do véu de renda por parte das mulheres é obrigatório, enquanto os homens podem usar calças. A missa foi presidida pelo padre Rafael Diniz, que conduziu a cerimônia predominantemente em latim e de costas para os fiéis, exceto durante a leitura do Evangelho e a homilia, que foram realizadas em português.
No seu sermão, Diniz abordou a ordenação dos novos bispos, ressaltando que a decisão foi motivada por um “estado de necessidade da igreja”. Ele argumentou que, em certas circunstâncias, “a violação da lei” pode ser necessária para preservar os sacramentos tradicionais, desde que não seja por desrespeito às normas. As reflexões do pároco foram inspiradas por um artigo recente sobre a FSSPX, que foi distribuído durante a missa.
A capela reúne frequentadores de diversas idades, incluindo crianças, jovens adultos e idosos. Miguel Cardoso, de 22 anos, frequenta a capela desde 2022 e acredita que o interesse dos jovens pelo tradicionalismo católico está ligado à preservação das práticas históricas da Igreja. Ele afirmou: “O que mais chama a atenção é essa coisa atemporal da Igreja. A missa que assistimos aqui é a mesma que o pessoal assistia 500, 600 ou 700 anos atrás. Estamos aqui para preservar a fé de sempre”.
O pesquisador Victor Gama, mestre em Ciências da Religião, destaca que os frequentadores são atraídos pela liturgia da FSSPX, que oferece uma visão própria da Igreja e uma disciplina distinta. A Fraternidade foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre como uma reação às reformas do Concílio Vaticano 2º, que incluíram a substituição do latim por idiomas locais nas missas e uma maior participação dos leigos.



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