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Economia

Gás aumenta, mercado fica racionado: entenda a discrepância

O Brasil aumenta a produção de gás natural, mas enfrenta desafios para torná-lo acessível.

06/08/2026 · 00h00 · Atualizado às 11h12
Gás aumenta, mercado fica racionado: entenda a discrepância

Produção subiu de 179,2 para 217,35 milhões m³ (jun/2026), mas só 64,36 milhões m³ chegaram ao mercado. Gás associado e reinjeção reduzem oferta e mantêm preços altos.

O Brasil tem aumentado a produção de gás natural, mas isso não se traduziu em uma economia com gás abundante e acessível. Em 2025, a média de produção diária foi de 179,2 milhões de metros cúbicos, e em junho de 2026, o número subiu para 217,35 milhões. No entanto, apenas 64,36 milhões de metros cúbicos estavam disponíveis para o mercado. Essa diferença gera a falsa impressão de que bastaria reduzir a reinjeção para inundar o país com gás barato. Essa conclusão, embora atrativa, é equivocada.

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A maior parte do gás produzido no Brasil é proveniente do mar, sendo associado ao petróleo e, no pré-sal, frequentemente misturado ao dióxido de carbono (CO₂). Uma parte significativa do gás é consumida nas plataformas, enquanto outra precisa passar por um tratamento antes de ser comercializada, e parte é reinjetada para manter a pressão dos reservatórios, auxiliar na recuperação do petróleo e armazenar CO₂. Portanto, a reinjeção não deve ser vista como desperdício. Cada campo de gás deve ser avaliado de forma transparente para determinar a quantidade que pode ser comercializada sem comprometer a segurança e a recuperação de petróleo.

Essa mesma abordagem realista deve ser aplicada ao conceito de “Gas Release”. Esse mecanismo visa reduzir a concentração comercial ao forçar um agente dominante a disponibilizar parte de seus volumes de forma transparente, favorecendo novos vendedores e promovendo preços competitivos. No entanto, essa reestruturação da venda de gás não gera reservas ou gasodutos, nem transforma automaticamente a reinjeção em oferta.

A geologia brasileira apresenta desafios que não devem ser ignorados. O gás offshore requer separação no mar, remoção de contaminantes, compressão, além de longos dutos e processamento. Comparando com outros países, os Estados Unidos possuem uma imensa produção terrestre e uma infraestrutura bem desenvolvida, enquanto a Argentina se destaca com Vaca Muerta, e a Noruega construiu sua rede de abastecimento para a Europa ao longo de décadas. Esses modelos não podem ser implementados por meio de simples atos administrativos.

Outro ponto crucial é identificar onde o gás pode gerar mais valor. Produtos como amônia, ureia, metanol e petroquímicos dependem do gás, assim como processos industriais que são difíceis de eletrificar. Nesses cenários, o gás contribui para a segurança alimentar e a competitividade. No entanto, utilizá-lo onde a eletricidade é mais eficiente é um desperdício.

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O Brasil terminou 2025 com 86,8% de eletricidade renovável, o que deve guiar sua política industrial. Uma nova industrialização baseada na promessa de gás offshore barato pode resultar em subsídios permanentes, contratos inflexíveis e exposição a flutuações de preços internacionais. Os incentivos devem focar em produtividade, emissões e evolução tecnológica, estabelecendo metas e prazos claros.

Além disso, há uma oportunidade muitas vezes subestimada no gás onshore. Os campos terrestres estão mais próximos de centros urbanos, indústrias e zonas agropecuárias, exigem projetos menores e oferecem soluções regionais. O país precisa aprimorar dados geológicos, processos de licenciamento, infraestrutura e financiamento, potencializando a produção de gás terrestre e biometano para criar mercados distribuídos.

Uma política consistente deve integrar transparência na reinjeção; articular o Gas Release com o acesso a gasodutos e unidades de processamento; incentivar a produção terrestre; e condicionar o apoio industrial a resultados efetivos. O planejamento deve abranger eletricidade, gás, biometano, armazenamento e eficiência.

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Esses aspectos foram discutidos no novo policy paper “Gás natural sem ilusões e da Evolução Energética”, elaborado pela Altiva Inteligência Estratégica. O gás continuará a ser relevante se for destinado a funções que agreguem maior valor econômico, industrial e estratégico. A concorrência será essencial para disciplinar o mercado, enquanto a geologia, infraestrutura e tecnologia determinarão a quantidade de gás disponível, seus custos e as melhores formas de utilização.

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Produção subiu de 179,2 para 217,35 milhões m³ (jun/2026), mas só 64,36 milhões m³ chegaram ao mercado. Gás associado e reinjeção reduzem oferta e mantêm preços altos.

O Brasil tem aumentado a produção de gás natural, mas isso não se traduziu em uma economia com gás abundante e acessível. Em 2025, a média de produção diária foi de 179,2 milhões de metros cúbicos, e em junho de 2026, o número subiu para 217,35 milhões. No entanto, apenas 64,36 milhões de metros cúbicos estavam disponíveis para o mercado. Essa diferença gera a falsa impressão de que bastaria reduzir a reinjeção para inundar o país com gás barato. Essa conclusão, embora atrativa, é equivocada.

A maior parte do gás produzido no Brasil é proveniente do mar, sendo associado ao petróleo e, no pré-sal, frequentemente misturado ao dióxido de carbono (CO₂). Uma parte significativa do gás é consumida nas plataformas, enquanto outra precisa passar por um tratamento antes de ser comercializada, e parte é reinjetada para manter a pressão dos reservatórios, auxiliar na recuperação do petróleo e armazenar CO₂. Portanto, a reinjeção não deve ser vista como desperdício. Cada campo de gás deve ser avaliado de forma transparente para determinar a quantidade que pode ser comercializada sem comprometer a segurança e a recuperação de petróleo.

Essa mesma abordagem realista deve ser aplicada ao conceito de “Gas Release”. Esse mecanismo visa reduzir a concentração comercial ao forçar um agente dominante a disponibilizar parte de seus volumes de forma transparente, favorecendo novos vendedores e promovendo preços competitivos. No entanto, essa reestruturação da venda de gás não gera reservas ou gasodutos, nem transforma automaticamente a reinjeção em oferta.

A geologia brasileira apresenta desafios que não devem ser ignorados. O gás offshore requer separação no mar, remoção de contaminantes, compressão, além de longos dutos e processamento. Comparando com outros países, os Estados Unidos possuem uma imensa produção terrestre e uma infraestrutura bem desenvolvida, enquanto a Argentina se destaca com Vaca Muerta, e a Noruega construiu sua rede de abastecimento para a Europa ao longo de décadas. Esses modelos não podem ser implementados por meio de simples atos administrativos.

Outro ponto crucial é identificar onde o gás pode gerar mais valor. Produtos como amônia, ureia, metanol e petroquímicos dependem do gás, assim como processos industriais que são difíceis de eletrificar. Nesses cenários, o gás contribui para a segurança alimentar e a competitividade. No entanto, utilizá-lo onde a eletricidade é mais eficiente é um desperdício.

O Brasil terminou 2025 com 86,8% de eletricidade renovável, o que deve guiar sua política industrial. Uma nova industrialização baseada na promessa de gás offshore barato pode resultar em subsídios permanentes, contratos inflexíveis e exposição a flutuações de preços internacionais. Os incentivos devem focar em produtividade, emissões e evolução tecnológica, estabelecendo metas e prazos claros.

Além disso, há uma oportunidade muitas vezes subestimada no gás onshore. Os campos terrestres estão mais próximos de centros urbanos, indústrias e zonas agropecuárias, exigem projetos menores e oferecem soluções regionais. O país precisa aprimorar dados geológicos, processos de licenciamento, infraestrutura e financiamento, potencializando a produção de gás terrestre e biometano para criar mercados distribuídos.

Uma política consistente deve integrar transparência na reinjeção; articular o Gas Release com o acesso a gasodutos e unidades de processamento; incentivar a produção terrestre; e condicionar o apoio industrial a resultados efetivos. O planejamento deve abranger eletricidade, gás, biometano, armazenamento e eficiência.

Esses aspectos foram discutidos no novo policy paper “Gás natural sem ilusões e da Evolução Energética”, elaborado pela Altiva Inteligência Estratégica. O gás continuará a ser relevante se for destinado a funções que agreguem maior valor econômico, industrial e estratégico. A concorrência será essencial para disciplinar o mercado, enquanto a geologia, infraestrutura e tecnologia determinarão a quantidade de gás disponível, seus custos e as melhores formas de utilização.

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