Pela primeira vez em muitos anos, a Globo disputa uma Copa do Mundo sem a exclusividade de todos os jogos. Por questões ocorridas anteriormente com a FIFA, a emissora possui apenas metade da competição. No entanto, internamente, este cenário diferente não é tratado como uma ameaça, mas sim como uma nova realidade.
Em entrevista à revista VEJA, Manuel Belmar, diretor financeiro e de Produtos Digitais da Globo, destacou que a emissora sempre conviveu com concorrência, primeiro na TV aberta, depois na TV por assinatura e, atualmente, também no ambiente digital. Para ele, a mudança não está apenas nos adversários, mas na própria dinâmica de consumo e nos altos custos dos direitos esportivos, que exigem uma estratégia diferente da simples aquisição das partidas.
“A força da Globo vai muito além da transmissão do jogo em si. A Copa do Mundo se transforma em assunto de toda a programação, dos telejornais ao entretenimento, ampliando o alcance do evento e reforçando o papel da TV aberta como principal vitrine para grandes acontecimentos nacionais”, afirmou Belmar.
Segundo o executivo, o fato de poder se comunicar com milhões de pessoas continua sendo um diferencial que o streaming, por si só, ainda não consegue reproduzir. Assim, a Globo se mostra ciente de que perdeu a exclusividade, mas não a confiança. A emissora vê a concorrência, como CazéTV e SBT, como parte de um mercado inevitavelmente fragmentado, mas mantém a convicção de que, em termos de mobilização em massa, a televisão aberta ainda ocupa um lugar que nenhuma outra plataforma conseguiu alcançar.
Os resultados têm mostrado isso. A famosa frase do professor Muricy Ramalho, “a bola pune”, se faz presente nesta Copa do Mundo, onde declarações consideradas definitivas durante as transmissões estão sendo rapidamente desmentidas no lance seguinte, o que gera estranheza entre os espectadores.
Na transmissão, Fernando Nardini se destacou pela narração equilibrada durante a classificação do Marrocos na Copa do Mundo, fugindo do exagero que se tornou comum em outras transmissões. A aceitação ao seu trabalho é atribuída à sua abordagem clássica, que é cada vez mais rara e merece reconhecimento.
Na LeoDias TV, o programa “Tá em Jogo”, apresentado por Giovanne Menezes, encontrou um formato interessante para a cobertura da Copa diretamente dos Estados Unidos, incorporando entretenimento de forma natural, sem abrir mão da informação esportiva.
Além disso, o canal UNIVERSAL+ anunciou a estreia do documentário “Elis & Eu” para 25 de agosto, que retratará a trajetória de Elis Regina sob a perspectiva de seu filho, João Marcello Bôscoli.
A Globo e a Amazon possuem os direitos de transmissão da Copa do Brasil até o final deste ano, e ainda há dúvidas sobre a possibilidade de uma licitação ou negociações separadas para os direitos a partir de 2027. Atualmente, a emissora comemora seu desempenho na Copa do Mundo, com cerca de 124,4 milhões de pessoas alcançadas, o que representa 86% do público que acompanhou os jogos.
O SBT também celebra os resultados de suas transmissões da Copa do Mundo e planeja incorporar mais competições esportivas em sua programação futura. Por fim, a atriz Juliana Kelling retorna às novelas como protagonista da produção “Ninguém Toca no Meu Porsche”, que marca sua estreia no universo das novelas verticais.
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