Despesas com passagens e diárias disparam – superam em 52 % os gastos da gestão Bolsonaro no mesmo período.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou um patamar histórico em despesas com viagens oficiais nos três primeiros anos do mandato (2023–2025). Segundo o Tesouro Nacional, nesses três primeiros trimestres, somando-se diárias, passagens e locomoção, foram gastos R$ 2 bilhões – um valor 52,1 % superior ao mesmo período do governo de Jair Bolsonaro, que registrou R$ 1,3 bilhão
No primeiro trimestre de 2025, o gasto foi ainda mais expressivo: R$ 789,1 milhões – o valor mais alto já registrado desde o início da série histórica, em 2011. Descontada a inflação, essa quantia representa um aumento real de 29,1 % em relação aos R$ 611 milhões gastos no mesmo período de 2024
Detalhamento dos gastos no 1º trimestre de 2025:
- Diárias (hospedagem, deslocamento etc): R$ 449,1 milhões – alta de 26,1 % sobre o 1º trimestre de 2024; supera o recorde anterior de R$ 417,5 milhões, registrado em 2014, durante o governo Dilma Rousseff
- Passagens e locomoção: R$ 340 milhões – aumento de 33,4 % sobre os R$ 255 milhões do mesmo período em 2024 e acima do recorde anterior de R$ 311,3 milhões em 2014.
O expressivo volume de despesas acompanha a intensa agenda internacional do presidente Lula. Em março de 2025, ele permaneceu sete dias em visitas ao Japão e ao Vietnã, totalizando 96 dias fora do país desde o início do mandato. Em abril, esteve no Vaticano para o funeral do Papa, somando 98 dias no exterior.
No início de maio, ele viajou à Rússia para participar das comemorações do Dia da Vitória, com a primeira-dama Janja chegando quatro dias antes.
Especialistas citam como fatores do aumento: retomada pós-pandemia, expansão da máquina pública — especialmente com o aumento do número de ministérios de 23 para 38 — e intensificação da diplomacia internacional.
Por outro lado, críticas surgem devido ao contexto de restrições orçamentárias internas e maior demanda por recursos em áreas sociais. Embora o Palácio do Planalto defenda as viagens como estratégia para “reconstruir a imagem do Brasil” no exterior, o custo elevado reforça o debate sobre prioridades e transparência nos gastos públicos .
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência
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