Instituição que tentou comprar o Banco Master alega perda de 71% dos aportes de sócios e corte de contratos comerciais após a liquidação do banco pelo BC.
O pedido de recuperação judicial protocolado hoje revela o tamanho do impacto que a derrocada do Banco Master causou em seus parceiros e potenciais compradores. Segundo a Fictor, a exposição negativa e a desconfiança do mercado geraram uma “corrida bancária” interna, drenando o caixa da empresa em tempo recorde.
Os Números da Crise
A Fictor apresentou dados alarmantes para justificar o pedido à Justiça:
- Fuga de Capitais: Até a véspera da liquidação do Master, a Fictor geria cerca de R$ 3 bilhões em aportes de sócios participantes.
- Retiradas em Massa: Após o escândalo vir à tona, 71% desse montante (mais de R$ 2,1 bilhões) foram solicitados para retirada pelos investidores até o dia 30 de janeiro.
- Corte de Crédito: O grupo relatou que fornecedores e parceiros comerciais suspenderam contratos e exigiram liquidação antecipada de ativos estratégicos.
O Argumento da “Crise Reputacional”
No documento enviado à Justiça, a Fictor afirma que foi vítima de um efeito em cadeia:
- Exposição Negativa: O vínculo com a tentativa de compra do Master (que gerou suspeitas de ser uma “cortina de fumaça”) destruiu a credibilidade do grupo.
- Questionamentos: Stakeholders passaram a exigir detalhes sobre os beneficiários finais e a estrutura societária da Fictor, travando operações diárias.
- Liquidez: A necessidade de devolver bilhões aos sócios em poucos dias esgotou o fluxo de caixa operacional, exigindo a proteção judicial para evitar a falência.
O que acontece agora?
Com o pedido de Recuperação Judicial:
- Suspensão de Cobranças: Se aceito pela Justiça, as execuções de dívidas contra a Fictor ficam suspensas por 180 dias (stay period).
- Plano de Reestruturação: A empresa terá 60 dias para apresentar um plano detalhado de como pretende pagar seus credores e reerguer suas operações.
- Vigilância Judicial: Um administrador judicial será nomeado para fiscalizar as contas do grupo durante o processo.
O Caso Banco Master
A crise começou quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em janeiro de 2026, após identificar graves irregularidades e falta de liquidez. A Fictor, que se apresentava como a compradora que “salvaria” a instituição, passou a ser alvo de investigações sobre a origem de seus recursos e a real natureza da transação.
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