Em Riad, a chanceler Afrah Al-Zouba afirmou que os Houthis, com apoio do Irã, miram o estreito de Bab el-Mandeb para interromper a navegação comercial. A iniciativa reproduz tática usada no Estreito de Ormuz.
Os rebeldes Houthis, um grupo do Iêmen que recebe apoio do Irã, estão buscando replicar a estratégia iraniana no Estreito de Ormuz, agora mirando no Estreito de Bab el-Mandeb, com o objetivo de interromper a navegação comercial na região. A chanceler do Iêmen, Afrah Al-Zouba, comentou sobre essa estratégia durante uma coletiva de imprensa em Riad, nesta segunda-feira, 27 de julho de 2026.
Al-Zouba afirmou que “os Houthis querem copiar o modelo iraniano, e isso fechará dois estreitos cruciais, as portas de entrada para o Golfo e o Mar Vermelho”. Essa movimentação representa uma nova frente no conflito que envolve o Irã e seus aliados, com os Houthis intensificando suas ações contra a Arábia Saudita, incluindo o disparo de mísseis e drones contra o território saudita, além de declarar um bloqueio à navegação saudita.
A resposta da Arábia Saudita a essas ações tem sido por meio de ataques aéreos direcionados a instalações militares dos Houthis, ao mesmo tempo em que reafirma seu compromisso em proteger a navegação comercial. O governo saudita acusa os Houthis de estarem a serviço de interesses estrangeiros, uma referência ao apoio que recebem do Irã.
Além do impacto imediato na navegação, a escalada das tensões na região traz à tona a possibilidade de um retorno ao conflito armado em larga escala no Iêmen. Desde a invasão dos Houthis à capital, Sanaa, em 2014, a guerra no Iêmen resultou na morte de centenas de milhares de pessoas. Apesar de uma trégua ter sido alcançada em 2022, esta foi violada por recentes confrontos e disparos transfronteiriços.
Autoridades sauditas, diplomatas ocidentais e representantes do governo iemenita consideram que o retorno a uma guerra em grande escala se torna cada vez mais provável, especialmente após os recentes acontecimentos. Al-Zouba reiterou que o governo do Iêmen, que conta com forte apoio da Arábia Saudita, está preparado para uma possível escalada, embora até o momento nenhum dos lados tenha iniciado uma ofensiva direta.
“Acreditamos que esse conflito precisa chegar ao fim agora, seja por meios pacíficos, seja de outra forma”, concluiu Al-Zouba, destacando a urgência para a resolução do conflito que já dura vários anos e que tem gerado uma crise humanitária profunda na região.
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