Muito além do trem e do carro: será que um trajeto como São Paulo–Campinas poderia virar apenas 10 minutos em tubo de vácuo?
Imagine acordar em São Paulo, tomar um café expresso e, minutos depois, estar almoçando em Campinas — tudo graças ao Hypertransfer, a versão italiana do hyperloop, e que está prestes a ganhar atenção no Brasil. Essa cápsula futurista circula dentro de tubos a vácuo, sem atrito ou resistência do ar, alcançando até 1.000 km/h. As viagens, que hoje levam até 1 hora de carro ou 1h15 de ônibus, poderiam durar apenas cerca de 10 minutos — tempo suficiente para colocar aquela música no Spotify sem nem sentir o trajeto.

O protótipo de uma estação do Hypertransfer. (Fonte: Hypertransfer/Divulgação)
Mas a novidade vai além da velocidade. O túnel da cápsula é coberto por placas solares que geram mais energia do que consome, resultando em pegada de carbono quase zero. Em caso de falha ou entrada de ar, a cápsula desacelera automaticamente, desce pelas rodas e conduz o passageiro para uma saída segura – sem cenas dramáticas de filme.
O projeto foi concebido por profissionais de várias partes do mundo, incluindo um brasileiro: Rodrigo Sá, mineiro e cofundador da Hypertransfer. Diferente dos sistemas atuais de levitação magnética ativa, que exigem eletricidade constante, a solução híbrida da Hypertransfer mantém a cápsula levitando com consumo mínimo, baixa manutenção e quase silêncio.

O sistema é apresentado em evento em Dubai. (Fonte: Hypertransfer/Divulgação)
O plano é lançar um túnel-piloto de 10 km entre Campinas e Jundiaí até 2030 e, em seguida, estender o trajeto direto para São Paulo. O objetivo? Reprojetar o transporte sobre trilhos no Brasil — resolvendo problemas de trânsito, ligações aéreas e logística, tudo em um mesmo programa.
Rodrigo conta que já houve estudos para trechos como São Paulo–Guarulhos, BH–Confins, e até Contagem (MG). “O grande desafio são as mudanças de governo a cada quatro anos, que atrasam o projeto”, lamenta. Mesmo assim, ele segue firme: “neste ano esperamos retomar conversas com autoridades e empresas no Brasil”.
Enquanto isso não acontece, a Europa avança: na Itália, o Hypertransfer visa conectar Milão a Veneza em apenas 25 minutos; em Dubai, o modelo também já é estudado como evolução natural dos trens. No Brasil, seguimos presos ao trânsito, aos voos baratos mas desconfortáveis e à esperança de que um dia não estaremos mais perdidos nos congestionamentos — talvez dentro de um tubo de vácuo a 1.000 km/h.
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