No Amazônia Summit 2026 (17-19/09), em Rio Branco, produtores do Acre mostram como a IG reconhece origem e saberes tradicionais. A certificação abre portas para novos mercados.
A identidade e os saberes tradicionais do Acre e da Amazônia estão sendo apresentados como ativos capazes de gerar reconhecimento e novas oportunidades de mercado durante o Amazônia Summit 2026, que ocorre de 17 a 19 de setembro no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.
No evento, produtores locais destacam a Indicação Geográfica (IG) como instrumento para reconhecer a origem, as características e a tradição associadas a alimentos regionais. A IG é regulamentada pela Lei da Propriedade Industrial nº 9.279/1996 e pela Portaria INPI/PR nº 04/2022, e é concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Como exemplos apresentados no Summit aparecem a farinha de Cruzeiro do Sul e o açaí de Feijó, ambos do interior do Acre, produtos que tiveram a origem e os modos tradicionais de produção reconhecidos pela IG e que vêm sendo usados para agregar valor e diferenciar a produção regional no mercado.
O produtor José Oliveira do Nascimento, de 47 anos, que trabalha há 35 anos com mandiocultura, relata a participação da Central das Cooperativas do Juruá — que reúne cooperativas de cinco municípios da região — no processo de reconhecimento da farinha, concluído em 2017.
“Hoje, para chegar a um padrão, como tudo começou, a indicação geográfica foi criada uma central das cooperativas, que é a qual eu represento, na região do Juruá, todas as cooperativas da regional”
Segundo o produtor, o selo trouxe efeitos econômicos positivos e contribuiu para a adoção de boas práticas e padronização da produção. Ele citou ainda o apoio do Sebrae no trabalho de agregar valor ao produto.
“A Indicação Geográfica trouxe a rentabilidade. O Sebrae auxiliou muito nessa parte para agregar valor nessa farinha. E hoje a gente tem bons resultados”
José explica que a modernização do processo permitiu aumentar a durabilidade da farinha em até dois anos, preservando as características de qualidade, e que o selo funciona como forma de diferenciação frente a produtos vendidos com referência à região do Vale do Juruá, mas que, conforme ele, não têm a mesma origem.
No município de Feijó, a trajetória do açaí também está ligada à cultura e aos hábitos alimentares locais. O produtor Antônio José da Conceição, de 55 anos, filho de produtores de açaí, integra a Cooperativa de Produtores, Coletores e Batedores de Açaí de Feijó (Açaí COOP) e relata que o produto, inicialmente consumido principalmente por famílias tradicionais, passou a ganhar espaço e reconhecimento em outras regiões.
Antônio aponta o Festival do Açaí, criado em 1999, como marco importante para a divulgação do produto. Ele conta que o processo pela IG foi retomado com mais intensidade a partir de 2021, após interrupções causadas pela pandemia da Covid-19, e que, em 2023, o açaí de Feijó conquistou o reconhecimento buscado pelos produtores.
“Foi reconhecido através de tanto trabalho, tanta luta, e mostrar que o açaí de Feijó é o melhor. É um açaí de origem totalmente extrativista, usado pelas pessoas tradicionais”
“Com a IG, eles vão ter um reconhecimento ainda maior nos seus produtos, vão ter um poder de venda maior, porque é um produto de qualidade, e tem as suas certificações, as suas origens”
Os relatos apresentados no Amazônia Summit 2026 mostram como a Indicação Geográfica vem sendo usada como estratégia para fortalecer cadeias produtivas tradicionais, aumentar a competitividade e garantir diferenciação no mercado a partir de atributos ligados ao território, à tradição e ao conhecimento dos produtores.


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