A influência britânica e o posterior imperialismo americano marcaram decisões políticas do Brasil desde as primeiras décadas da República. Pesquisas na UnB, PUC‑Rio e USP reconstroem esse passado com documentos e análises.
A preeminência da Inglaterra sobre o Brasil e, posteriormente, o imperialismo dos Estados Unidos, marcaram a história política do país desde as primeiras décadas da República. Esse fenômeno, que se intensificou com a ascensão do conservadorismo americano, tem sido amplamente estudado nas universidades brasileiras, graças à formação de cursos especializados em Ciência Política e Relações Internacionais, além do acesso a documentação histórica.
Instituições como a Universidade de Brasília (UnB), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Universidade de São Paulo (USP) e o antigo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (IUPERJ) têm desempenhado um papel crucial na pesquisa sobre o tema. O incentivo à produção acadêmica, como dissertações de mestrado e doutorado, e a abertura de arquivos de países como Estados Unidos, França, Inglaterra e Portugal, têm proporcionado um contexto rico para a análise das relações internacionais do Brasil.
Além das universidades, programas de intercâmbio e bolsas de estudo financiadas por agências como o CNPq e Capes, assim como por organizações internacionais, contribuíram para o aprofundamento das pesquisas. A atuação de estudiosos conhecidos como Thomas Skidmore e Alfred Stepan também merece destaque nesse contexto.
No entanto, a preocupação com a política internacional no Brasil era, até então, limitada a poucas instituições e a um número reduzido de pesquisadores. José Honório Rodrigues se destacou como um dos intelectuais mais conhecidos na área. O cenário começou a mudar a partir do final do governo de Getúlio Vargas, com iniciativas como a Operação Pan-Americana de Juscelino Kubitschek e a crise com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O tema da subordinação do Brasil aos interesses estrangeiros ganhou maior visibilidade a partir de 1961, com a Política Externa Independente (PEI) de Jânio Quadros, que buscava uma abordagem mais autônoma nas relações internacionais. Contudo, essa trajetória enfrentou desafios, especialmente com a intensificação da Guerra Fria e as articulações golpistas promovidas pelos EUA, culminando no golpe militar de 1964.
Após o golpe, a política externa brasileira ficou subordinada aos interesses americanos, conforme evidenciado pela declaração do embaixador Juracy Magalhães, que afirmava: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. Essa afirmação reflete a ideologia dominante da época e a influência dos EUA sobre a política brasileira, que perdurou durante toda a ditadura militar.
O período da Proclamação da República e o advento do positivismo marcaram o início da influência ideológica americana no Brasil. Joaquim Nabuco, um importante líder da elite intelectual e econômica, já vislumbrava o século XX como o “século americano”, defendendo uma aproximação do Brasil com os Estados Unidos como forma de garantir sua segurança contra potências decadentes.
Portanto, a questão da soberania brasileira e sua relação com potências estrangeiras continua sendo um tema relevante e atual, refletindo as complexidades da política internacional ao longo da história do país.
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