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Antonio Samarone

Itabaiana – 350 anos. O fotógrafo Cobertura.(por Antonio Samarone)

Jurandir Rosa de Jesus (Cobertura), 70 anos, paciente de Lair Ribeiro, natural de Maruim, nasceu em 11 de janeiro de 1956. Veio para Itabaiana em 26 de agosto de 1985, um sábado à tarde, para assistir a uma partida do Maruinense contra o Itabaiana. Ficou na casa de Dona Maria São Pedro. Cobertura ficou encantado […]

25/03/2025 · 11h06
Itabaiana – 350 anos. O fotógrafo Cobertura.(por Antonio Samarone)

Jurandir Rosa de Jesus (Cobertura), 70 anos, paciente de Lair Ribeiro, natural de Maruim, nasceu em 11 de janeiro de 1956. Veio para Itabaiana em 26 de agosto de 1985, um sábado à tarde, para assistir a uma partida do Maruinense contra o Itabaiana. Ficou na casa de Dona Maria São Pedro.

Cobertura ficou encantado com Itabaiana: tinha o Tik-Tok de Adilson e João Patola; o Le Romantique de Gud-Gud e a Lanchoteca de Zé de Quinquim. Era muita modernidade. A cidade não dormia.

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Cobertura, não pensou duas vezes, arrumou as malas e se transferiu para Itabaiana. Trouxe a esposa, Dona Nailza. Hoje, possui três filhos e três netos.

Em Maruim, Jurandir era empregado da Fábrica de Tecido Maísa, de Constâncio Vieira. Em Itabaiana, virou autônomo, tornou-se fotógrafo, fez amizades, melhorou a qualidade de vida. Somou-se a Romeu, Juracy, Dona Helena, e os crentes João e Miguel. Uma profissão estabelecida.

Cobertura fez a escolha certa, Itabaiana foi o berço da fotografia em Sergipe. Nunca lhe faltaram serviços: batizados, casamentos, festas e folguedos. Fotografou até enterros.

Itabaiana deve aos fotógrafos parte da sua memória. Miguel Teixeira, Joãozinho Retratista, Percílio Andrade, Paulinho de Doci, entre outros, deixaram fotos icônicas da cidade serrana. Hoje, já foram até animadas, passaram a se movimentar, sorrir e falar.

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A entrada da Era Digital deu um susto nos fotógrafos, mestres na revelação perderam a relevância. E agora, com os iPhones clicando sozinhos, com a praga das selfies, todos se autofotografando, os fotógrafos profissionais perderam o mercado.

Os telefones fazem as fotos sozinhos e a inteligência artificial controla a luz e o enquadramento. O “DeepSeek”, IA chinesa, atende ao comando de voz. Aparece nas fotos até quem já morreu.

Basta ordenar: eu quero uma foto do meu aniversário, com todos felizes e sorridentes. Ao fundo, quero os meus avós, que faleceram há décadas. Basta ligar o iPhone, botá-lo apontando para a cena e sair de perto. As fotos sairão no Instagram, em segundos.

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Uma luta perdida, a dos fotógrafos. Em Itabaiana, restam três “studios”, para fotos três por quatro.

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.

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Jurandir Rosa de Jesus (Cobertura), 70 anos, paciente de Lair Ribeiro, natural de Maruim, nasceu em 11 de janeiro de 1956. Veio para Itabaiana em 26 de agosto de 1985, um sábado à tarde, para assistir a uma partida do Maruinense contra o Itabaiana. Ficou na casa de Dona Maria São Pedro.

Cobertura ficou encantado com Itabaiana: tinha o Tik-Tok de Adilson e João Patola; o Le Romantique de Gud-Gud e a Lanchoteca de Zé de Quinquim. Era muita modernidade. A cidade não dormia.

Cobertura, não pensou duas vezes, arrumou as malas e se transferiu para Itabaiana. Trouxe a esposa, Dona Nailza. Hoje, possui três filhos e três netos.

Em Maruim, Jurandir era empregado da Fábrica de Tecido Maísa, de Constâncio Vieira. Em Itabaiana, virou autônomo, tornou-se fotógrafo, fez amizades, melhorou a qualidade de vida. Somou-se a Romeu, Juracy, Dona Helena, e os crentes João e Miguel. Uma profissão estabelecida.

Cobertura fez a escolha certa, Itabaiana foi o berço da fotografia em Sergipe. Nunca lhe faltaram serviços: batizados, casamentos, festas e folguedos. Fotografou até enterros.

Itabaiana deve aos fotógrafos parte da sua memória. Miguel Teixeira, Joãozinho Retratista, Percílio Andrade, Paulinho de Doci, entre outros, deixaram fotos icônicas da cidade serrana. Hoje, já foram até animadas, passaram a se movimentar, sorrir e falar.

A entrada da Era Digital deu um susto nos fotógrafos, mestres na revelação perderam a relevância. E agora, com os iPhones clicando sozinhos, com a praga das selfies, todos se autofotografando, os fotógrafos profissionais perderam o mercado.

Os telefones fazem as fotos sozinhos e a inteligência artificial controla a luz e o enquadramento. O “DeepSeek”, IA chinesa, atende ao comando de voz. Aparece nas fotos até quem já morreu.

Basta ordenar: eu quero uma foto do meu aniversário, com todos felizes e sorridentes. Ao fundo, quero os meus avós, que faleceram há décadas. Basta ligar o iPhone, botá-lo apontando para a cena e sair de perto. As fotos sairão no Instagram, em segundos.

Uma luta perdida, a dos fotógrafos. Em Itabaiana, restam três “studios”, para fotos três por quatro.

Antonio Samarone – Secretário de Cultura de Itabaiana.

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