O banco rebaixou o Brasil de overweight para neutro, citando crescimento fraco, juros altos, piora do crédito e riscos fiscais e eleitorais para 2027. Sugere que investidores mantenham o país pelo peso em benchmarks.
A mudança de recomendação do JPMorgan para o Brasil, que passou de overweight para neutro, reflete um cenário de maior cautela para 2027. A avaliação do banco considera a perspectiva de crescimento mais fraco da economia, juros elevados e desafios fiscais. Essa alteração também leva em conta a deterioração do mercado de crédito e as incertezas eleitorais, fatores que podem aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros.
Com a nova recomendação neutra, o JPMorgan sugere que os investidores mantenham o Brasil em suas carteiras de acordo com o peso que o país já possui em benchmarks de referência, como o MSCI. Anteriormente, o banco defendia uma exposição maior ao Brasil do que o recomendado pelos benchmarks. A analista Lucinda Pinto avaliou que essa mudança representa a oficialização de uma percepção já incorporada pelo próprio mercado nos preços dos ativos.
“O que o JP Morgan está fazendo, na verdade, é um pouco oficializar uma leitura que o próprio mercado já de alguma forma vem fazendo quando a gente olha para o comportamento dos preços”, afirmou a analista.
O JPMorgan também reduziu sua projeção para o Ibovespa, de 195 mil para 185 mil pontos. Apesar do corte, o novo alvo ainda representa uma valorização em relação ao patamar atual. Como um dos grandes participantes do mercado, sua mudança de posicionamento pode influenciar fundos com exposição a mercados emergentes, levando gestores a rebalancear suas carteiras.
Outro ponto importante é a divergência nas projeções dos juros. Enquanto o JPMorgan considera que o ciclo de cortes foi encerrado, com a Selic chegando a 14%, parte do mercado ainda vê espaço para novas reduções. Essa diferença nas projeções impacta diretamente a atratividade da Bolsa em relação à renda fixa, já que uma Selic mais elevada por mais tempo torna os ativos de renda fixa mais competitivos.
Para 2027, o consenso do mercado aponta para uma desaceleração da atividade econômica, resultado dos efeitos prolongados dos juros elevados e da redução dos estímulos fiscais. Lucinda ressaltou que o estímulo fiscal atual deverá desaparecer ou, pelo menos, diminuir consideravelmente, afetando o vigor da economia.
A incerteza em torno do cenário eleitoral também foi destacada como um fator de cautela. O banco não aposta em um resultado específico, mas considera que essa incerteza tende a aumentar a volatilidade dos mercados. Lucinda resumiu que, diante dessa incerteza, os investidores precisam ser mais cautelosos.
Dessa forma, a mudança de recomendação do JPMorgan combina três elementos principais: juros elevados por mais tempo, perspectivas de desaceleração econômica e incertezas fiscais e eleitorais. Para o mercado acionário, esses fatores reduzem as chances de uma postura mais agressiva em relação ao Brasil.
Por fim, o comportamento do Ibovespa deverá continuar condicionado à trajetória dos juros futuros e à percepção dos investidores sobre o cenário fiscal de 2027. No entendimento da analista, “no fim das contas, o Ibovespa vai seguir muito o comportamento dos juros futuros e da sua leitura a respeito do cenário fiscal de 2027”.
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