Os recentes ataques a instalações de extração e processamento de petróleo e gás no Oriente Médio provocaram forte reação nos mercados: o preço do barril do tipo Brent chegou a US$ 119 na manhã de quinta-feira, 19 de março. Em resposta à escalada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sinalizou a possibilidade de autorizar a venda de petróleo iraniano que está armazenado em navios na região, medida que contribuiu para um recuo da cotação para US$ 108.
A proposta de liberar esses estoques foi apresentada por Bessent durante entrevista ao programa Mornings with Maria, da Fox Business. A elevação inicial dos preços foi desencadeada por uma série de ataques entre países envolvidos no conflito: na quarta-feira, 18 de março, Israel atingiu o campo de gás Pars, localizado no Golfo Pérsico e partilhado com o Catar.
Em retaliação, o Irã atacou, ainda na quarta-feira, a refinaria de Ras Laffan. Já na madrugada de quinta-feira, alvos em instalações de gás natural no Catar foram atingidos, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir completamente o campo de gás iraniano South Pars, o maior do mundo.
Contexto e desdobramentos
O atual surto de atentados ocorre em um contexto de confrontos repetidos entre Israel, Estados Unidos e Irã. Desde junho de 2025, Israel e os EUA já haviam realizado ataques contra o Irã no âmbito das negociações sobre o programa nuclear e balístico do país persa. A ofensiva mais recente começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam Teerã; no ataque, morreu o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, juntamente com outras autoridades, e Mojtaba Khamenei foi escolhido novo líder.
Após esses eventos, o Irã lançou mísseis contra países árabes do Golfo onde há presença militar dos Estados Unidos, incluindo Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. As nações envolvidas são grandes produtoras e exportadoras de petróleo, e parte significativa da produção passa pelo Estreito de Ormuz — que chegou a ser bloqueado pelo Irã — aumentando as preocupações sobre a oferta global.
As incertezas sobre a continuidade do fluxo de petróleo e gás levaram a aumentos nos preços dos combustíveis no mercado internacional, com o barril já ultrapassando a marca dos US$ 100. A combinação de ataques a infraestruturas-chave, ameaças a campos de produção e movimentos diplomáticos e comerciais, como a possível liberação de petróleo iraniano embarcado, manteve os investidores e governos em alerta.
Os desdobramentos da escalada militar e as medidas anunciadas pelos Estados Unidos seguem influenciando a formação de preços e a avaliação de riscos no mercado de energia.
Com informações de Agência Brasil
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