Em vídeo nas redes, o primeiro-ministro israelense criticou declarações do prefeito Zohran Mamdani e afirmou que elas alimentam o antissemitismo nos EUA. Netanyahu disse ter ouvido judeus de Nova York com medo e anunciou que pretende voltar à cidade para discursar.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, através de um vídeo publicado em suas redes sociais, criticou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmando que suas declarações contra o governo israelense são um estímulo ao antissemitismo nos Estados Unidos. Netanyahu, que representa o partido Likud, se posicionou de forma firme na legenda da publicação, dizendo: “Ninguém vai me impedir de lutar pela verdade de Israel”.
No vídeo, o premiê associou as falas de Mamdani ao medo relatado por judeus que residem em Nova York. Ele também anunciou que planeja visitar a cidade para discursar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A crítica de Netanyahu ocorre após Mamdani ter chamado o primeiro-ministro de “criminoso de guerra”, pedindo sua prisão e julgamento pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Vale lembrar que o TPI emitiu, em novembro de 2024, um mandado de prisão contra Netanyahu, sob suspeitas de crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza. Israel, no entanto, rejeita essas acusações e contesta a jurisdição do tribunal.
O gabinete de Netanyahu divulgou uma nota onde condena as declarações de Mamdani, classificando o mandado do TPI como falso e sugerindo que o prefeito deveria focar em resolver os problemas gerados por suas políticas em Nova York.
No vídeo, Netanyahu menciona que Mamdani e sua família teriam celebrado o ataque do Hamas contra Israel, que ocorreu em 7 de outubro de 2023, e que foi considerado o “pior massacre contra judeus desde o Holocausto”. Ele afirmou que Mamdani está promovendo “ódio e medo” entre a população.
O primeiro-ministro também se disse em contato com judeus norte-americanos que relataram estar preocupados com a situação em Nova York. “Falo com judeus norte-americanos em Nova York, e eles estão com medo neste momento”, disse Netanyahu, mencionando um incidente em que um judeu foi esfaqueado após as declarações de Mamdani.
Para Netanyahu, esses episódios fazem parte de uma linguagem de incitação que, segundo ele, está se espalhando em diferentes setores da sociedade norte-americana, gerando um ambiente de antissemitismo. “O pior é que ele está atormentando os próprios cidadãos, os próprios eleitores. Isso é errado”, afirmou.
Por sua vez, Mamdani havia anunciado que consultaria a assessoria jurídica da prefeitura para avaliar a possibilidade de acatar o mandado do TPI durante a possível visita de Netanyahu a Nova York. Após a análise, o prefeito declarou que a prefeitura não possui autoridade para realizar a prisão.
Além disso, a legislação americana apresenta barreiras para a detenção de Netanyahu, uma vez que os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, que estabelece o TPI. Uma lei de 2002 proíbe a extradição de indivíduos que se encontram em território norte-americano. Importante ressaltar que Netanyahu, como líder do governo, ainda teria imunidade e proteção adicional durante sua estadia para a Assembleia Geral da ONU.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já manifestou publicamente que Netanyahu “não será preso de forma alguma” enquanto estiver no país. O primeiro-ministro confirmou sua intenção de comparecer à Assembleia Geral, que ocorrerá em setembro, destacando que pretende falar pela verdade de Israel e pela relação entre Israel e os Estados Unidos.
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