A GEOGRAFIA DA REENCARNAÇÃO E O NATAL por Manoel Moacir Costa Macêdo

Redação, 18 de Dezembro , 2020

Para alguns não existe o acaso, mas “causa e efeito” e imortalidade da vida. A existência tem um sentido lógico e racional. Os fenômenos são acolhidos pela observação, jamais pela imaginação. As escolhas e o “livre-arbítrio” são definições de destino. Sentidos da geografia da reencarnação, acima e abaixo da linha do equador. No alto, territórios antigos, tradicionais, alvos, ricos, frios e civilizados. Abaixo, trópicos tristes, pretos, pobres, quentes, famintos e retardatários.  Diz a lenda que Papai Noel, o “bom velhinho”, vive no alto, na distante Lapônia, na direção do Polo Norte, onde recebe os pedidos dos cobiçados e onerosos presentes natalinos. Lá, nessa época o sol dorme e acorda tarde. Cá, ele deita e desperta cedo. Cá, o suor escorre nos corpos descamisados. Lá, esconde nos perfumes e sofisticados casacos. Na geografia tropical, as provas e expiações são escancaradas: desigualdade, violência e pobreza. Na temperada: consumo, bonança e desperdício. Uma afronta ao dom da vida em sua integral horizontalidade.

De cima, o domínio e globalização planetária. De baixo, a submissão dos globalizados. De lá, globalizam o idioma, vestes, cultura, whisky, fast food, chester e até o Natal. Não globalizam a miséria de cá. Na geografia natalina dos de baixo, a importada “noite feliz” e a opaca ceia de faisão com batata inglesa. Ocultam o Natal do forró, do samba e da carne do sol com farofa e baião de dois. Distintas geografias e reencarnações. Abstrações para o paradigma da pós-materialidade.  Na dimensão cósmica, geografia está desvinculada do consumismo e lastreada nos ativos: “tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber; fui estrangeiro, e vós me acolhestes. Quando necessitei de roupas, vós me vestistes; estive enfermo, e vós me cuidastes; estive preso, e fostes visitar-me”.

Na geografia abaixo da linha do equador, a singularidade do nome Brasil, o único do país com identidade de árvore. Harmonia com a natureza. Colonização imperial, cristã e escravocrata. Sofrimento consentido como o “coração do mundo e da pátria do evangelho”, apartado em dois “Brasis”. O “Brasil-oficial” da Corte, dos brancos, endinheirados, indiferentes e festeiros do importado Natal consumista. O “Brasil-real”, da província, dos pobres, desempregados, desnutridos e da compaixão, ao menos no dia de Natal sem fome. Geografia e Natal desiguais. Os registros históricos não reconhecem com precisão o dia do nascimento de Jesus Cristo - a simbologia do Natal. Afora os mistérios e dogmas do seu nascimento.

Na geografia humanista, vale a unidade bio-psico-espiritual da criatura humana. Ninguém evolui pela fome e sofreres da desigualdade. Não são pecados e castigos divinos, mas injustiça humana. O natural e divino, é a evolução por igual de todos em suas geografias e leis morais - o código penal da pós-materialidade. O “sol nasce para todos”. Salvação pelo trabalho, desenvolvimento moral e bem-aventuranças. Somos extensões irmanadas nos dons da vida.  O tempo é agora. A indiferença pode ser a oportunidade perdida. Para o pai da psicanálise, Sigmund Freud “estamos no mundo em um comum pertencer”.

Na geografia tropical e abaixo da linha do equador, cada vez que contestamos as injustiças, é Natal. Cada vez que abraçamos a igualdade, é Natal. Cada vez que renunciamos o egoísmo, é Natal.  Cada vez que vivemos honestamente, é Natal. Cada vez que cultivamos a humildade, é Natal. Cada vez que olhamos o outro com o coração e o sorriso nos lábios, é Natal. Cada vez que reencarna um ser humano nas favelas, mansões, palácios, ruas, ruelas e avenidas, é Natal, tal qual o nascimento solitário de Jesus Cristo na simbólica manjedoura - um cocho de comer dos animais -, nas cercanias da pequena Nazaré em Israel. Marco da humanidade antes e após ele.

 Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo

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