“Quero repudiar com veemência essas declarações da deputada que forma um blocozinho“

Redação, 27 de Abril , 2021 - Atualizado em 27 de Abril, 2021


A insistência de deputados estaduais do partido Cidadania em abrir uma CPI da Covid específica para o governo de Sergipe, sob orientação do presidente Jair Bolsonaro, fez com que parlamentares da base governista se manifestassem duramente contra a ideia na sessão desta terça-feira (27). “Fiquei estarrecido quando li no noticiário da própria Alese, e em outros blogs, a seguinte frase dita pela deputada Kitty Lima: ‘Agora é hora de saber quais os deputados que estão no bolso do governador’. Achei esta declaração um despreparo muito grande e uma leviandade sem tamanho. É preciso a gente compreender que a imunidade parlamentar é para que a gente exerça o total direito de liberdade de expressão em nosso mandato, mas isso é diferente. Quando a deputada faz uma acusação dessa sem provas, ela está cometendo crimes tipificados no Código Penal. Extrapolou a sua cota de liberdade de expressão e imunidade parlamentar”, disse  o vive-presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, Francisco Gualberto (PT). Além dele, os deputados Adailton Martins, Garibalde Mendonça, João Marcelo, entre outros, se queixaram das ofensas públicas da colega.

“A declaração dela, se olhada profundamente, acusa o governador de ser corruptor e acusa os deputados de serem corruptos, e não apenas os da bancada de governo. Acusa qualquer um que não assine essa CPI, seja da situação ou oposição”, persistiu Gualberto, lembrando mais uma vez o diálogo entre o senador Cajuru, do partido Cidadania, e o presidente Bolsonaro, pedindo que a CPI da Covid aberta e já instalada pelos senadores em Brasília fosse estendida para estados e municípios, para que o presidente, que comprovadamente praticou inúmeros crimes de responsabilidade na condução do combate à pandemia, não sofresse sozinho as conseqüências.

Para Gualberto, os argumentos que levam à rejeição da CPI proposta em Sergipe são discutidos no campo da política e da administração. Diferente dos interesses dos deputados sergipanos que propõe a investigação local. “Imaginem se qualquer um da gente que não assina essa CPI dissesse: ‘aqueles que estão assinando a CPI estão no bolso de Cajuru, do senador Alessandro, e do presidente da República’. Seria justo, seria ético, correto? Claro que não”, sustenta o deputado.

“Entre os que não irão assinar o requerimento da CPI, não vi ninguém atentando contra a integridade moral de qualquer outro companheiro. Querendo taxar o outro de corrupto. Nós já dissemos por que não assinamos, e não vamos fazer esse palanque eleitoral que esses que se elegeram através do fenômeno terrível de 2018 querem. E eles sabem que dificilmente se reelegerão através do fenômeno do atraso, do desmonte do Estado, do combate à política, e da tentativa de desmoralizar a política e os políticos”, garante Francisco Gualberto, afirmando que o tal fenômeno da eleição de 2018 “atrasa o Brasil, no mínimo, em meio século, com um retrocesso econômico, social e político”.

“Quero repudiar com veemência essas declarações da deputada que forma um blocozinho (desculpe a expressão, não é pejorativa, é porque o bloco é pequeno) na Assembleia Legislativa e querem fazer os outros de bobo da corte, desrespeitando seus companheiros. Mas a gente sabe quem está por trás disso, pois essas declarações também revelam o caráter de determinadas pessoas. Há uma mistura de coisa ruim, do que não eleva a política no estado de Sergipe, e desqualifica a própria oposição”, concluiu Francisco Gualberto, prestando solidariedade a todos os deputados da Casa que não assinam o requerimento da oposição.

Por  Gilson Sousa

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