Educadores de agência das Nações Unidas são denunciados por incitar antissemitismo

Relatório expõe que funcionários da UNRWA, agência que administra escolas e serviços sociais palestinos, usavam redes sociais para incentivar violência contra israelenses e preconceito contra judeus

Redação, 12 de Agosto , 2021

A UN Watch, uma organização independente de defesa aos direitos humanos com base em Genebra, divulgou um relatório que denuncia práticas antissemitas feitas por funcionários de uma agência das Nações Unidas que administra escolas e serviços sociais palestinos. De acordo com o documento, mais de 100 educadores e servidores que trabalham para essa agência incitaram publicamente a violência contra israelenses e o preconceito contra judeus nas redes sociais.

No relatório “Beyond the Textbooks” (“Além dos livros didáticos”, em tradução livre), a organização não governamental expõe evidências de 22 casos recentes cometidos por membros da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), que “claramente violaram as regras da própria agência, bem como seus valores autoproclamados de tolerância zero ao racismo, discriminação ou antissemitismo”. Foram membros de equipes de escolas em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e Jordânia que usaram seus perfis pessoais em redes sociais para propagar mensagens antissemitas e terroristas.


Um exemplo é a funcionária Esraa Abedalraheem, que se identifica no Facebook como professora de inglês na UNRWA. Ela fez vários posts incentivando que crianças negassem o direito de Israel existir. A imagem a seguir, retirada do relatório da UN Watch, mostra a captura de tela do perfil de Esraa, na qual ela compartilha um post, em fevereiro de 2020, que mostra um professor ensinando aos alunos que todo o território de Israel é a Palestina. A tradução do texto dela, que introduz a imagem da sala de aula, é: “Como vão, minhas crianças? Nós começamos a lição de hoje, e a lição de todos os dias. Essa é a Palestina (27,027 quilômetros). Nem uma polegada a menos, é tudo nosso”, como se o estado de Israel não existisse.

O diretor da UN Watch, Hillel Neuer, se pronunciou dizendo que “ao redor do mundo, educadores que incitam o ódio e a violência são removidos de suas funções. Apesar disso, a UNRWA emprega servidores perpetradores do terrorismo e do ódio contra judeus intencional e sistematicamente, apesar de declarar tolerância zero a esses comportamentos”. Como consequência, a ONG de Genebra notificou os principais financiadores da agência (Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e União Europeia), com objetivo de responsabilizar os membros da UNRWA pelo ocorrido.


"É inadmissível que uma organização de ajuda humanitária, cujo objetivo é proporcionar serviços de educação aos refugiados palestinos na Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria, mantenha entre seus funcionários pessoas que na verdade deseducam, incitando o racismo, o preconceito e o ódio”, afirma André Lajst, cientista político e diretor executivo da StandWithUs Brasil, organização que luta contra o antissemitismo, incluindo o ódio contra Israel, por meio da educação.


Identificar os acusados foi um trabalho relativamente simples para a UNWatch: foram cruzadas informações de usuários do Facebook que se identificaram na plataforma como funcionários da UNRWA, apontando que 113 deles celebravam e promoviam a violência. Isso foi revelado em seis relatórios separados publicados entre setembro de 2015 e setembro de 2019. Depois dessa primeira amostra, a ONG expandiu a investigação para os cerca de 30 mil empregados da agência, indicando que o problema deve ser de uma escala muito maior.


Em abril deste ano, o governo Biden renovou o financiamento aos palestinos, destinando US$150 milhões para a UNRWA. Em julho de 2021, foi relatado que o financiamento dos EUA para a UNRWA para 2021 aumentou para $313,8 milhões. Com as denúncias, as instituições estadunidenses impuseram condições antes da liberação de fundos: a agência deve estar “agindo prontamente para lidar com qualquer equipe que viole a neutralidade e a imparcialidade" e deve tomar medidas para garantir que o conteúdo dos materiais educacionais da UNRWA “seja consistente com os valores dos direitos humanos, dignidade e tolerância”.


Na última sexta-feira (6), a UNRWA anunciou que está investigando 10 de seus funcionários e sugeriu que cerca de mais 40 pessoas que aparecem no relatório da UN Watch podem ter sido penalizadas, fazendo com que muitos dos posts nas redes sociais dos denunciados fossem apagados. A velocidade com que a agência começou a investigação preliminar em resposta às denúncias se dá devido à pressão feita pelo Embaixador de Israel nos Estados Unidos e nas Nações Unidas, Gilad Erdan, que enviou uma série de cartas com críticas severas e que pediam a demissão dos denunciados. Ele também recorreu a Linda Thomas-Greenfield, também embaixadora estadunidense nas Nações Unidas, pedindo que ela revisasse a destinação de recursos à UNRWA, o que também pode ter sido o motivo da resposta rápida da agência, já que os EUA são o principal financiador da agência.


No entanto, Neuer, diretor da UN Watch, considera que a resposta da UNRWA à questão não é suficiente para resolver o problema. “Se a agência emprega dezenas de professores e diretores de escolas que citam Hitler e aclamam ataques terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica, o problema não é somente os posts de suas redes sociais ou o que eles chamam de ‘violações de neutralidade”, mas sim o fato de que o sistema de educação da UNRWA está repetidamente contratando e colocando professores que admiram Hitler e propagam ódio e terrorismo em sala de aula”, diz ele em sua declaração mais recente sobre o caso. 

 

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