Pesquisa mostra que o desejo por casas inteligentes está em alta no país

Redação, 31 de Março , 2022

Os anseios por residências automatizadas e mais práticas estão cada vez mais fortes. E, o que antes fazia parte apenas de filmes e desenhos animados, hoje é prioridade na lista de desejos do brasileiro.  
Em março de 2022, a Datafolha divulgou o censo de moradia QuintoAndar, pesquisa realizada em parceria com a empresa de compra e aluguel de imóveis. O estudo, que tem como objetivo traçar um panorama nacional, descobriu que o desejo por soluções tecnológicas conectadas à sustentabilidade, conforto e segurança está em alta no Brasil.   

Mas, o que significa uma casa inteligente? 

Em primeiro lugar, o conceito não está ligado apenas a casas administradas por robôs onde tarefas cotidianas deixaram de existir. Basicamente, pode-se dizer que sim, uma casa inteligente é um imóvel que reúne inúmeros dispositivos conectados à internet. Geladeira, televisão, lâmpadas etc. Os aparelhos, aos poucos, passam a dialogar entre si e essa integração traz praticidade e segurança aos moradores.  

Porém, as casas inteligentes não se limitam mais a serem apenas tecnológicas. Elas são também sustentáveis. E o brasileiro já consegue enxergar esse viés.  

De acordo com o censo de moradia QuintoAndar, 73% dos entrevistados gostariam de ter painel de energia solar em suas residências, enquanto 60% desejam adquirir reservatórios para captar e armazenar água da chuva. Estes itens são os primeiros da lista.  

O desejo por tecnologia não para por aí. Sistemas de câmera de segurança (59%), alarmes (53%), fechadura eletrônica (45%), sistema de luz controlada por aplicativo (42%) e assistente virtual com comando de voz (29%) também vem ganhando destaque como itens que o brasileiro gostaria de ter em suas casas. 
 
Inteligentes X Sustentáveis  

Ao contrário do que muitos pensam, casas inteligentes e casas sustentáveis não são rivais. Elas podem (e devem) se complementar. O arquiteto Rômulo Gomes explica que quando o projeto de um ambiente consegue alinhar esses dois conceitos, aquele espaço – seja uma casa, um escritório, um apartamento – traz economia, praticidade e segurança para quem dele usufrui.  

“É possível ter ganhos sustentáveis através da automação residencial ou comercial. Programações de cenas para cortinas permitem controlar a incidência de luz solar dentro do ambiente, por exemplo. E, com isso, conseguimos reduzir a temperatura do ambiente e, consequentemente, reduzir o uso de climatizações artificiais”, pontua Rômulo.  

Outra forma de reduzir o impacto na conta de energia, é instalar placas de energia solar. Além de fazer uso de uma fonte de energia renovável e sustentável, agredindo menos o meio ambiente, há uma considerável economia financeira a médio prazo.  

Rômulo Gomes cita também a possibilidade de instalação de um sistema para reaproveitamento de água, mas com observações. “Diferentemente da energia solar, que se trata de um sistema de fácil instalação, seja ele pensado previamente ou em uma habitação já consolidada, o sistema de reaproveitamento de águas é mais interessante para quem tem a oportunidade de pensar nesta possibilidade quando o projeto do imóvel ainda está em fase de concepção. Isso por que ele necessita de um local para o armazenamento da água e para o tratamento dela”, explica. 

A verdade é que a arquitetura sustentável e a tecnologia andam lado a lado. Existe uma variedade de soluções para reduzir o nosso impacto ambiental e a tecnologia é uma grande aliada nesse processo. Ao mesmo tempo que traz praticidade e segurança, ela oferece a oportunidade de minimizar o desperdício dos recursos naturais.  
 
Ambientes vulneráveis  

A ideia de conforto e praticidade é muito atraente, porém a visão de um futuro tecnológico exige cautela. Quanto mais os ambientes dependem de sistemas digitais, mais vulneráveis eles se tornam. Por isso, é importante entender os cuidados necessários no quesito segurança.  

A verdade é que todo equipamento habilitado com internet é um potencial ponto de entrada para hackers. Os avanços tecnológicos são colocados como a “Quarta Revolução Industrial”, porém os ataques cibernéticos são a maior ameaça de impedimento para que isso ocorra.  

Mas não há necessidade de entrar em pânico. Desenvolvedores de tecnologias residenciais afirmam que os dispositivos que utilizamos para trazer mais tranquilidade e conforto para nossas casas possuem sistemas específicos para questões de segurança. Isso quer dizer que as inovações voltadas para as casas inteligentes são mais protegidas do que aplicativos comuns.   

Quais os verdadeiros riscos? 

Porém, também acontece de alguns dispositivos domésticos da Internet das Coisas serem disponibilizados no mercado sem que um nível adequado de segurança tenha sido projetado. Caso o manual de usuário não trate do tema privacidade ou não traga informações suficientes que garantam a proteção do dispositivo, é melhor não arriscar.  

Babás eletrônicas e câmeras de segurança, por exemplo, podem ser hackeadas. Se isso acontecer, os criminosos poderão ver tudo o que acontece dentro da sua residência.  

Outro ponto que poucas pessoas imaginam que pode acontecer está relacionado aos dados. Lembre-se que qualquer vulnerabilidade pode comprometer as informações privadas, como e-mails, contas de redes sociais e contas bancárias.    

Dicas de segurança para casas inteligentes 

Para que o seu sonho de ter uma casa inteligente não se transforme em um pesadelo, Gabriel Manzano, CTO do CV – Construtor de Vendas, empresa de tecnologia voltada para gestão de vendas no mercado imobiliário, separou algumas dicas de como evitar invasões cibernéticas a residências: Proteja todos os computadores e smartphones por senha. Use senhas fortes que sejam difíceis de violar.  

Altere o nome de usuário e a senha padrão do roteador. A alteração do nome impede que os hackers consigam adivinhar qual dispositivo ou rede estão sendo usados. 

Use firewalls em qualquer computador e no roteador. Muitos roteadores têm um firewall integrado ao hardware, mas ele precisa ser habilitado pelo usuário. 

Use um bom software de segurança em computadores e smartphones para evitar a instalação de malware ou a infecção por vírus. 

Caso você tenha dispositivos ativados por voz, como alto-falantes inteligentes, mude a palavra de alerta de "OK, Google" ou "Ei, Alexa" para algo que só você e sua família saibam. 

Antes de comprar um novo dispositivo, certifique-se de ter informações adequadas sobre o nível de proteção de segurança. Descubra se o fabricante oferece atualizações de firmware com regularidade. 
Desative o protocolo Universal Plug & Play (UPnP). A maioria dos dispositivos inteligentes tem essa funcionalidade, que permite encontrar outros dispositivos inteligentes e conectá-los automaticamente. 
Tenha cuidado com o armazenamento em nuvem para dispositivos. Como ele requer uma conexão em nuvem para fazer upload e download, outras pessoas podem invadir essa conexão e obter acesso à rede. 
 
Casas inteligentes vieram para ficar  

Embora as casas inteligentes tenham alguns desafios de segurança, elas também criam oportunidades para tornar a sua casa mais segura. O mais importante é seguir as orientações dos profissionais de tecnologia e utilizar as inovações a seu favor.  

O futuro dos lares é inteligente, tecnológico e sustentável. Este parece ser um caminho sem volta. E o mais surpreendente é que, muitas vezes, os dispositivos entram em nossas casas já como algo comum e corriqueiro e nem percebemos que já nos rendemos a eles.  

Algumas empresas estão contribuindo para esse processo. A VCA Construtora lançou um empreendimento no qual a unidade já é entregue com fechadura eletrônica, assistente virtual com comando de voz e tomadas eletrônicas.  

“A ideia surgiu ao observarmos os movimentos do mercado, o que nos fez entender que tais tecnologias não poderiam ficar limitadas a empreendimentos de médio e alto padrão. Assim, buscamos adequar a realidade do orçamento para imóveis de entrada e conseguimos levar ao consumidor de menor renda um produto final com mais tecnologia”, comemora Suerlon Couto, CEO da VCA Construtora, já que o empreendimento, que continha 385 unidades, foi completamente vendido em oito dias. 

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