Dois novos estudos apontam que a combinação de dois medicamentos, utilizada antes e após a cirurgia de retirada da bexiga em casos de câncer, demonstrou uma redução de aproximadamente 60% no risco de recorrência tumoral, progressão da doença ou morte. Essa combinação já foi aprovada pela Anvisa para uso perioperatório em pacientes que não podem receber cisplatina, um medicamento quimioterápico, no Brasil.
As análises realizadas pela Pfizer investigam o tratamento do câncer de bexiga, que é o nono tipo mais comum no mundo, com mais de 614 mil novos casos diagnosticados anualmente. Os dados dos estudos podem mudar a abordagem da doença, que há 20 anos segue o mesmo padrão de tratamento.
“Os resultados apresentados nos estudos EV-303 e EV-302 reforçam o potencial da combinação de enfortumabe vedotina com pembrolizumabe em diferentes etapas da jornada do câncer urotelial”, ressaltou Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil.
O primeiro estudo avaliou pacientes com câncer de bexiga que precisaram passar pela remoção da bexiga e que não eram elegíveis para a quimioterapia padrão com cisplatina. Os pesquisadores compararam os resultados dos pacientes que se submeteram apenas ao procedimento cirúrgico com aqueles que receberam a combinação dos medicamentos enfortumabe vedotina (Padcev) e pembrolizumabe antes e depois da operação.
Os resultados mostraram que a combinação reduziu em cerca de 60% o risco de o câncer voltar, evoluir ou causar a morte do paciente. O risco de morte foi aproximadamente 50% menor em comparação com aqueles que passaram apenas pela cirurgia. Após dois anos de acompanhamento, 74,7% dos pacientes que receberam os dois medicamentos continuavam sem sinais de progressão da doença. Além disso, o estudo indicou uma resposta patológica completa em cerca de 57% dos casos, um índice significativamente superior ao observado entre os pacientes tratados apenas com cirurgia, que foi de aproximadamente 9%.
O segundo estudo envolveu 886 pacientes com carcinoma urotelial, o tipo mais comum de câncer do trato urinário, que estavam em estado avançado ou metastático e não haviam recebido tratamento anterior com inibidores de PD-1/PD-L1. Este estudo revelou que pacientes com câncer avançado apresentaram uma taxa de resposta de 67,5% com a combinação, em comparação com 44,2% com a quimioterapia convencional.
O uso combinado de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe já está aprovado no Brasil para pacientes adultos com câncer urotelial localmente avançado ou metastático. Recentemente, a Anvisa também aprovou o uso perioperatório da combinação em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo que não são elegíveis para cisplatina.
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