Quase 17 anos após a morte de Michael Jackson, novas alegações de abuso sexual voltaram a ser apresentadas contra o artista, em um momento que coincide com a estreia de sua cinebiografia, “Michael”. Segundo reportagem inicial do jornal The New York Times, a ação judicial foi protocolada por quatro filhos de Dominic Cascio, considerado um dos melhores amigos do cantor e descrito como parte de sua “segunda família”.
De acordo com o advogado que representa a família Cascio, os filhos — identificados como Edward, Dominic, Marie-Nicole e Aldo — afirmam que Jackson os teria aliciado, dopado, estuprado e agredido sexualmente por mais de uma década. O processo, que o jornal Radar teve acesso, relata que os abusos teriam começado quando algumas das vítimas tinham entre sete e oito anos e teriam se prolongado até a adolescência.
O documento aponta episódios ocorridos em diferentes locais e viagens, incluindo paradas da turnê Dangerous World Tour, bem como residências de celebridades citadas no processo: a casa de Elizabeth Taylor na Suíça e a residência de Elton John no Reino Unido. Em um dos relatos, Aldo afirma que, aos sete anos, teria sofrido sexo oral enquanto estava na mesma cama com Jackson. Segundo a ação, o cantor utilizava uma expressão codificada — “Disneylândia” — para indicar desejo sexual.
O advogado dos Cascio disse que, durante anos, quatro dos irmãos foram orientados a negar qualquer conduta imprópria do cantor, enquanto um dos irmãos não integra o processo por motivos legais. No passado, os membros da família já haviam negado publicamente ter sofrido abuso: em entrevista a Oprah, em dezembro de 2010, todos responderam “nunca” à pergunta sobre conduta imprópria com Jackson.
Segundo a petição, a família decidiu agir agora em resposta a alegações públicas de extorsão e ameaças ao espólio do artista. O defensor dos Cascio afirmou que eles buscam reparação por mais de uma década de abuso e também esperam encorajar outras possíveis vítimas e cúmplices a romper o silêncio.
Em reação às novas acusações, o advogado do espólio de Michael Jackson caracterizou o processo como “uma tentativa desesperada de extorsão”, ressaltando que, por mais de 25 anos, os membros da família teriam defendido o cantor. Ainda segundo o texto, em 2020 os irmãos teriam procurado o espólio para relatar, pela primeira vez, o suposto abuso.

Naquele acordo, a família Cascio teria recebido cerca de US$ 16 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões na cotação atual) ao longo de cinco anos, com os pagamentos mantidos em sigilo. Os repasses foram interrompidos no ano passado, o que motivou a disputa judicial. Em outra frente, o quinto filho de Dominic, Frank Cascio, ex-assistente de Jackson, foi citado em processos judiciais; segundo o texto, ele teria sido acusado em julho de 2025 de tentar extorquir US$ 213 milhões em ação movida no Tribunal Superior de Los Angeles.
A investigação e os processos em curso devem tramitar nos tribunais competentes, enquanto as partes envolvidas mantêm posições opostas sobre as alegações.
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