Análise da XP mostra que a TIM enfrenta pressão no segmento pós-pago com avanço da NuCel e operadoras locais. A base da NuCel saltou de ~60 mil em set/2025 para 1,1 milhão em jul/2026, comprimindo a participação da TIM.
A TIM está enfrentando uma pressão competitiva maior no mercado brasileiro de telefonia móvel, com avanço da NuCel e de operadoras regionais, segundo análise da XP Investimentos. O movimento começou a alterar a disputa por clientes no segmento pós-pago e coloca a companhia em uma posição mais desafiadora frente a concorrentes.
Um dos exemplos mais evidentes é a expansão da NuCel, operação de telefonia do Nubank. A base da NuCel passou de aproximadamente 60 mil clientes em setembro de 2025 para 1,1 milhão em julho de 2026. Esse crescimento tem sido impulsionado, entre outros fatores, pelo baixo custo de aquisição proporcionado pela própria base de clientes do banco digital.
Ao mesmo tempo, provedores regionais de internet, como a Brisanet, vêm avançando agressivamente no mercado de telefonia pós-paga, especialmente em estados do Nordeste. Na avaliação da XP, esse movimento começa a ocupar parte do espaço que tradicionalmente era disputado pela TIM, tornando a competição mais pulverizada e localizada.
No segundo trimestre de 2026, a Vivo registrou 786 mil adições líquidas no pós-pago, contra 247 mil da TIM, segundo a análise. A diferença também aparece na taxa de cancelamento, que apresentou melhora na Vivo. Para a XP, parte da vantagem está relacionada ao perfil da base de clientes: o pré-pago representa apenas 8% da receita da Vivo, enquanto chega a 18% na TIM.
A análise acrescenta que a sobreposição entre o público da Vivo e o perfil de clientes atraído pela NuCel seria menor, reduzindo o impacto direto da expansão da marca do Nubank sobre a operadora.
Para reagir à perda de espaço, a TIM vem reforçando sua estratégia de convergência, combinando serviços móveis e banda larga em pacotes como o Ultracombo. A estratégia já começa a aparecer nos resultados: as receitas de serviços fixos da operadora cresceram 27% no último trimestre, indicando que a companhia pretende usar a oferta combinada para aumentar a fidelização e reduzir a migração de clientes para concorrentes.
Na avaliação da XP, a TIM mantém boa disciplina de custos, mas terá de encontrar um equilíbrio delicado nos próximos trimestres. A empresa precisa preservar suas margens financeiras ao mesmo tempo em que aumenta os investimentos na rede para continuar competitiva diante do avanço da NuCel e dos provedores regionais.
O avanço dessas rivais mostra que a disputa pelo consumidor brasileiro está ficando mais fragmentada. Para a TIM, o desafio não é apenas enfrentar grandes concorrentes nacionais, mas também impedir que empresas com estruturas diferentes conquistem partes específicas de sua base de clientes.
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