O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, que foi excomungado pela Igreja Católica devido à sua filiação à Fraternidade Sacerdotal Pio X (FSSPX), divulgou uma carta aberta aos católicos de Brasília, onde criticou o alto clero do país. A excomunhão se deu após a ordenação de bispos sem a autorização do Vaticano, configurando um ato de cisma e excomunhão para os envolvidos.
Na carta, o padre relata que recebeu advertências por criticar rituais de macumba realizados em igrejas católicas na Arquidiocese de Brasília. Ele também mencionou casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes, fazendo uma ligação entre esses eventos e a necessidade de uma reforma na Igreja.
“Em 22 anos de sacerdócio, tive de enfrentar bispos e entrar em conflitos com sacerdotes e leigos para defender a fé católica”, afirmou o padre.
A Arquidiocese de Brasília, em nota, informou que os atos ministeriais do padre, a partir da excomunhão, são considerados ilícitos, e os sacramentos que ele ministra são nulos. Além disso, a arquidiocese classificou os fiéis que frequentam as atividades vinculadas à Fraternidade como cismáticos e excomungados.
Em sua carta, o padre Françoá lembrou eventos em que denunciou a presença de rituais de macumba em templos católicos, afirmando que um vídeo que fez sobre o assunto viralizou. Ele revelou que foi orientado pela arquidiocese a retirar o material, e que, em um primeiro momento, acatou a orientação.
“Quando coloquei uns papéis dentro do Missal Romano, fui retirado da Paróquia Senhor Bom Jesus, em 2024”, relatou o padre, destacando sua contribuição na Arquidiocese.
O padre também se comparou a santos que se opuseram às autoridades da Igreja em momentos críticos, como Santo Atanásio e Santa Joana D’Arc, cuja posição foi reconhecida posteriormente. Ele reafirmou sua discordância com princípios da Igreja atual e criticou as mudanças trazidas pelo Concílio Vaticano II, como a liberdade religiosa e o ecumenismo.
Com a recente excomunhão, o Vaticano afirmou que este é o primeiro cisma enfrentado pela Igreja em 38 anos, e os adeptos da FSSPX são considerados cismáticos. A comunidade, fundada em 1970, defende uma interpretação estrita da tradição doutrinal e litúrgica da Igreja, rejeitando as evoluções ocorridas desde o Concílio Vaticano II e mantendo práticas litúrgicas em latim.
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