As petrolíferas são responsáveis por 20 dos 500 supercomputadores mais potentes do mundo, conforme o ranking TOP500, que é elaborado por acadêmicos e centros de pesquisa. Esse levantamento considera a edição de junho de 2026 da lista, que classifica as máquinas com melhor desempenho no teste Linpack. As empresas do setor podem operar outros equipamentos que não foram submetidos ao teste, portanto, não aparecem na lista.
A Petrobras se destaca com 7 supercomputadores listados, sendo a tecnologia considerada estratégica para suas operações. Os supercomputadores são utilizados, principalmente, para localizar e administrar reservatórios de petróleo, o que é crucial para a eficiência das atividades da companhia.
Apesar de ter um número elevado de HPCs (sigla em inglês para Computador de Alto Desempenho), a capacidade total das máquinas da Petrobras é inferior à de dois de seus concorrentes. A Eni, com 3 supercomputadores na lista, acumula um impressionante poder de processamento de 1.085 petaflops. Entre seus equipamentos, o HPC7 e o HPC6 estão classificados entre os 10 mais poderosos do planeta, ocupando a 6ª e 8ª posição, respectivamente.
Na sequência, a ExxonMobil aparece com duas máquinas que totalizam 190,3 petaflops, enquanto a Petrobras ocupa a 3ª posição no setor, com capacidade conjunta de 121,6 petaflops. Além dessas empresas, a SaudiAramco, TotalEnergies, PTTEP e BP também possuem supercomputadores entre os 500 mais potentes do mundo.
Os equipamentos das 7 petrolíferas identificadas no ranking somam cerca de 1.493 petaflops de capacidade máxima de processamento, o que equivale à capacidade de cerca de 7,5 milhões de notebooks convencionais.
“Os HPCs são parte integral da infraestrutura de exploração de petróleo porque perfurar um poço exige investimentos elevados”, explica Daniel Thomé de Paula, especialista em processamento sísmico da Petrobras.
A perfuração de poços requer que as empresas reduzam incertezas sobre o que existe abaixo da superfície. Para isso, barcos especializados emitem ondas sonoras que atravessam a água e penetram no subsolo, refletindo nas diferentes camadas de rochas e sendo captados por sensores. O material coletado é composto por bilhões de registros que precisam ser processados para serem interpretados por geólogos e geofísicos.
Os supercomputadores aplicam modelos matemáticos para transformar esses dados em imagens da subsuperfície, permitindo que os técnicos identifiquem estruturas geológicas e avaliem potenciais reservas. Após a descoberta, a tecnologia continua sendo utilizada para monitorar o comportamento dos reservatórios ao longo do tempo.
As simulações realizadas pelos supercomputadores ajudam a decidir onde perfurar novos poços e quando alterar os planos de desenvolvimento. De acordo com Guilherme Silva Vilela, consultor de HPC da Petrobras, essas máquinas são compostas por diversos servidores de alta capacidade que se comunicam para resolver problemas complexos.
“Um supercomputador é uma junção de vários computadores, todos eles poderosos, que se comunicam para resolver um pedaço do problema”, afirma Guilherme.
A Petrobras investe em infraestrutura de supercomputação desde a década de 1960, tendo realizado os primeiros testes com GPUs para processamento sísmico entre 2006 e 2007. Atualmente, a companhia concentra recursos para projetar supercomputadores que movimentam grandes volumes de dados sísmicos, além de contar com outros HPCs de menor porte.
Daniel também ressalta que o ranking TOP500 pode não ser a melhor forma de comparar supercomputadores voltados para os objetivos específicos da Petrobras, uma vez que o teste Linpack mede a velocidade na resolução de sistemas complexos de equações.

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