Equipe do Georgia Tech criou a ORISA, capaz de extrair fragmentos de bate-papo de assistentes de IA que rodam localmente em celulares Android. A exclusão pela interface não limpa totalmente a RAM, permitindo recuperação.
Publicado em 27/10/2026. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), nos Estados Unidos, desenvolveram uma ferramenta capaz de recuperar conversas excluídas de assistentes de inteligência artificial que rodam localmente em celulares Android.
A tecnologia, batizada de ORISA, identifica fragmentos de bate-papos que permanecem na memória do aparelho mesmo após a exclusão pelo aplicativo. Isso acontece porque apagar um bate-papo pela interface não remove imediatamente todos os dados armazenados na memória de trabalho (RAM) do celular.
Com esse comportamento do sistema, a equipe também conseguiu reconstruir o contexto das conversas e criar uma nova sessão funcional do chatbot, reconstituindo trechos que haviam sido removidos pela interface do usuário.
A pesquisa foi realizada no Laboratório de Inovação em Forense Cibernética do Georgia Tech e foi apresentada no 2026 IEEE Symposium on Security and Privacy. Para testar a ferramenta, a equipe liderada pelo doutorando Ken Xu criou um assistente fictício chamado Project Note Keeper dentro do aplicativo de código aberto ChatterUI.
Nos testes, os pesquisadores forneceram 100 fatos fictícios ao assistente antes de excluir a conversa. Naquele momento, o modelo conseguia acessar ativamente apenas 14 informações devido ao limite de memória. O ORISA, porém, recuperou 26 fatos armazenados no celular e criou uma nova sessão capaz de responder a perguntas sobre o projeto.
O experimento também mostrou que a ferramenta consegue resgatar informações que já haviam saído da janela de contexto da IA: embora o modelo não conseguisse mais consultar esses fatos durante a conversa original, os dados ainda permaneciam na memória do dispositivo e puderam ser recuperados pelo ORISA.
A equipe validou o desempenho da ferramenta em 60 configurações de teste, envolvendo 10 aplicativos Android e três modelos de IA. No entanto, segundo os pesquisadores, a recuperação fica mais difícil à medida que outras atividades do sistema sobrescrevem os dados antigos na memória do dispositivo.
O artigo Recovering and Rehosting Mobile Local LLM Conversations and Contexts via Memory Forensics também tem como autores os doutorandos David Oygenblik, Runze Zhang e Mingxuan Yao, o cientista de pesquisa Muhammad Ibrahim e o professor associado Brendan Saltaformaggio.
O ORISA foi desenvolvido para auxiliar em investigações criminais e perícias digitais. A ferramenta consegue recuperar informações compartilhadas com assistentes de IA e as respostas recebidas, o que pode ajudar a esclarecer casos em que orientações de um chatbot tenham causado danos. A tecnologia, porém, não é um aplicativo comercial ou público para usuários comuns restaurarem conversas apagadas; trata-se de um recurso para análise forense de dispositivos.
A descoberta levanta questões sobre a privacidade de usuários de assistentes de IA com processamento local, como o Google AI Edge Gallery e o ChatterUI. Essas soluções executam modelos no próprio celular, reduzindo a necessidade de enviar dados pessoais para servidores na nuvem. Ainda assim, apagar uma conversa não garante que todos os seus registros desapareçam imediatamente, pois fragmentos do histórico podem permanecer na memória do aparelho.
A recuperação depende de acesso forense à memória e ao armazenamento do dispositivo, o que significa que o estudo não indica que qualquer pessoa consiga restaurar conversas apagadas com facilidade. Os pesquisadores também não investigaram se bate-papos com assistentes baseados na nuvem poderiam ser recuperados por técnicas semelhantes.
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