Os petroleiros do Norte Fluminense decidiram nesta terça-feira (30) suspender a greve iniciada em 15 de dezembro, que já somava 16 dias, e aprovar a contraproposta apresentada pela Petrobras para o novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
A deliberação ocorreu em assembleia convocada pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), maior entidade de representação da categoria no país e filiada à Federação Única dos Petroleiros (FUP). Além do fim da paralisação, os trabalhadores aprovaram a manutenção do estado de assembleia permanente e do estado de greve, como forma de garantir o cumprimento das cartas-compromisso enviadas pela empresa ao sindicato.
Por maioria, também foi autorizado o desconto assistencial de 1% do salário líquido, dividido em três parcelas, para custear as atividades sindicais.
Avanços reconhecidos
Segundo o coordenador-geral do Sindipetro-NF e diretor da FUP, Sérgio Borges, a decisão representa “o melhor caminho neste momento”. Ele destacou ganhos na cláusula da folga suprimida e a garantia de que não haverá punições, transferências ou mudanças de regime para quem participou da greve.
Entre outros pontos, os petroleiros conseguiram a neutralização dos dias parados, o pagamento do dia de desembarque como hora extra, a criação do Auxílio Mercado e a complementação do Auxílio Deslocamento.
Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, a mobilização possibilitou avanços nos três eixos da campanha: revisão dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), melhoria do ACT e defesa da pauta “Brasil Soberano”. Bacelar lembrou que novas negociações estão previstas para 2026, envolvendo Participação nos Lucros e Resultados (PLR), plano de cargos e salários e a discussão sobre os PEDs no Tribunal de Contas da União.
Posicionamento da Petrobras
Em nota, a Petrobras informou que 12 sindicatos já aprovaram a mesma proposta, encerrando o movimento grevista na maioria das bases. Para as entidades que ainda não deliberaram, a estatal ingressou com dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Em decisão liminar, o TST determinou que 80% dos empregados de cada unidade permaneçam em atividade e proibiu bloqueios a áreas operacionais, portos e aeroportos. A companhia acrescentou que não houve impacto na produção nem no abastecimento do mercado, graças à atuação de equipes de contingência.
A matéria original foi atualizada às 16h13.
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