A Polícia Federal (PF) investiga se os bancos Itaú e Santander omitiram operações financeiras da Americanas durante auditorias. A ação faz parte da 2ª fase da operação Disclosure, deflagrada em 25 de junho, e foi autorizada por uma decisão da juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Segundo informações divulgadas, a investigação aponta indícios de uma possível atuação coordenada entre os dois bancos. Mensagens trocadas entre executivos do Itaú, do Santander e o ex-diretor financeiro da Americanas, Fabio Abrate, foram citadas na decisão judicial como evidências de que o aval de uma instituição poderia levar a outra a adotar o mesmo procedimento solicitado pela varejista.
De acordo com a investigação, os bancos emitiram cartas de circularização sem informar operações de risco contratadas pela Americanas. Nessas operações, a instituição financeira antecipa pagamentos a fornecedores, o que gera uma dívida para a empresa. O Ministério Público Federal (MPF) alega que essa omissão contribuiu para esconder parte do endividamento da companhia tanto da auditoria externa quanto do mercado.
A decisão judicial reproduz mensagens em que a Americanas solicita a um executivo do Itaú a retirada de informações das cartas enviadas aos auditores. Em outra conversa, foi mencionado que o Santander só faria a alteração se o Itaú também a fizesse. Para a juíza, esses diálogos indicam uma possível coordenação entre as instituições para atender às solicitações da antiga administração da varejista.
Em nota, o Itaú informou que sofreu perdas bilionárias devido à fraude e que demonstrou à Justiça a regularidade da atuação de seus funcionários. O banco também afirmou ter recusado pedidos da antiga gestão das Americanas para alterar as cartas de circularização. Por sua vez, o Santander declarou que também foi vítima das fraudes e ressaltou que a realização de operações bancárias com a empresa não implica participação nas irregularidades investigadas.
A PF, o MPF, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, a Americanas, o Itaú e o Santander foram contatados para fornecer as íntegras das decisões, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O texto será atualizado assim que novas informações forem recebidas.
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