Brasileiros sancionados pelo governo dos Estados Unidos, suspeitos de conexão com o PCC (Primeiro Comando da Capital), estavam utilizando o Zelle, uma plataforma de transferências digitais dos EUA, em operações financeiras que levantam suspeitas de lavagem de dinheiro. Essa informação foi revelada em uma decisão judicial que autorizou a operação Exchange, realizada na última sexta-feira, 3 de julho de 2026.
Mensagens extraídas dos celulares dos investigados mencionam o envio de dados de uma conta pelo Zelle. Conversas atribuídas a Ygor Fokin Saviolli, um dos alvos da Justiça, sugerem que o Zelle foi empregado em transferências internacionais para o pagamento de drogas.
O Zelle é uma rede de pagamentos digitais administrada pela Early Warning Services, uma empresa privada que conta com a participação dos maiores bancos dos Estados Unidos, como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo. A plataforma permite transferências diretas entre contas bancárias utilizando o número de telefone ou endereço de e-mail do destinatário como chave de identificação.
Os investigadores identificaram um comprovante de depósito no valor de US$ 10.002 realizado pelo Zelle a uma conta do Bank of America nos EUA. A operação Exchange foi deflagrada dois dias após o anúncio pelo governo dos EUA do bloqueio de bens e empresas dos investigados sob jurisdição norte-americana. Parte das informações que embasaram a ação da Polícia Federal (PF) veio das investigações do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
No relatório da PF, foi destacado que, com os dados compartilhados pelas autoridades americanas, foi iniciada uma investigação sobre um esquema bilionário de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas, utilizando criptoativos como meio.
Saviolli foi identificado como um dos principais articuladores na venda de drogas e teve seu celular apreendido em outubro de 2023 durante uma fiscalização no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale. O material coletado desse aparelho incluiu mensagens, imagens, comprovantes bancários e registros que os investigadores consideraram indicativos de movimentação de dinheiro, negociação de drogas e investimentos em criptoativos.
Conforme informações da PF, Victor Shimada é um dos líderes do núcleo financeiro do PCC no Brasil. O grupo, segundo a representação policial, transacionava remessas de drogas, especialmente haxixe e seus derivados, e utilizava empresas de fachada para lavar o dinheiro através de depósitos fracionados. Shimada é investigado por atuar como doleiro, em associação com seu tio, Amaro Henrique de Oliveira, sua prima, Stella Stefanie, e Carlos Henrique Costa Almeida.
Os relatórios financeiros indicam que Shimada foi mencionado em 51 comunicações e pode ter transacionado R$ 1,9 bilhão utilizando sua principal empresa de fachada, a Victory Trading Intermediação de Negócios. O relatório da PF revelou que Saviolli mantinha relações próximas com Shimada, envolvendo conversas sobre remessas de valores provenientes da venda de haxixe para as empresas de fachada. Os dados obtidos das autoridades norte-americanas apontaram para a existência de uma complexa rede financeira transnacional, que envolve a conversão de moeda fiduciária em criptoativos.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

