Cibercriminosos exploram brecha em prestadora de tecnologia, desviando até R$ 1 bilhão em poucos minutos – contas reserva foram limpas via transferências e criptomoedas
Um dos maiores assaltos já registrados no sistema financeiro do Brasil começou ainda na madrugada de segunda‑feira (30/06), quando um executivo da BMP, fintech especializada em banking‑as‑a‑service, foi alertado sobre uma transferência não autorizada: R$ 18 milhões, sacados via Pix à 1h da madrugada. Em sequência, em questão de minutos, uma série de operações drásticas “evaporou” cerca de R$ 400 milhões da conta da BMP – apenas o início de um crime que expôs brechas críticas na infraestrutura interbancária.
Investigação liderada pelo Banco Central e Polícia Federal aponta a C&M Software — fornecedora de mensageria para operações como Pix e TED — como porta de entrada. Criminosos usaram credenciais legítimas para acessar contas reservas de ao menos seis instituições, movendo até R$ 1 bilhão, segundo estimativas mais amplas.
Como o ataque se desenrolou
- Primeiro alerta — às 4h, BMP recebeu notificação do primeiro Pix de R$ 18 milhões e entrou em contato com a C&M para confirmar a anomalia.
- Limpeza nas contas reserva — em minutos, hackers transferiram centenas de milhões, inclusive R$ 400 milhões da BMP; valor total pode alcançar R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão.
- Conversão em criptomoedas — a SmartPay identificou volumes atípicos de USDT e Bitcoin por volta das 0h18 de 30 de junho, bloqueou transações e conseguiu reverter parte dos valores.
- Interrupção e isolamento — em resposta, o Banco Central determinou o desligamento imediato da C&M da infra‑estrutura do Pix e TED.
Quem está envolvido e suas posições
- BMP: calcula prejuízo de R$ 400 milhões, já recuperou R$ 130 milhões. Garantiu que nenhum cliente final foi impactado e que possui colateral para cobrir perdas.
- C&M Software: confirmou ter sido vítima do uso indevido de credenciais, não teve sistemas centrais comprometidos e segue colaborando com as autoridades.
- Banco Central: assegurou que sua infraestrutura segue intacta; avalia os mecanismos de contra‑ataque e aperfeiçoamento da segurança.
- SmartPay: bloqueou movimentações raras com criptoativos, reconduziu valores às instituições principais.
Impactos e reações
- Clientes de fintechs afetadas ficaram sem Pix temporariamente, enquanto o BC exigia outras formas de pagamento via TED ou serviços terceiros.
- Autoridades abriram inquérito criminal imediato, envolvendo Polícia Federal, Polícia Civil de São Paulo e equipes técnicas do BC.
- Especialistas defendem revisão urgente do modelo de segurança de prestadores de mensageria, implementação de IA para identificar fraudes e maior robustez nas contas reserva.
O que falta esclarecer
- Valor efetivamente perdido ou recuperado.
- Quem são as demais instituições afetadas além da BMP.
- Medidas regulatórias e tecnológicas que o Banco Central implementará para prevenir ataques semelhantes.
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